Ian Fraser lança romance sobre o que é ser brasileiro
Autor de "Cartografia Para Caminhos Incertos" valoriza o regionalismo em suas obras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de outubro de 2025
Autor de "Cartografia Para Caminhos Incertos" valoriza o regionalismo em suas obras

Buscando sempre dialogar com os mais variados públicos, realidades e contextos, Ian Fraser não para de se desafiar e acaba de lançar a oitava obra de sua carreira: "Cartografia Para Caminhos Incertos." Publicado pela editora Intrínseca, o livro mostra a jornada de Mané, um homem simples que vive em Redenção, uma cidade rodeada por limites imaginários que a fazem mudar de lugar geográfico o tempo todo.
Leia mais:
Correndo todos os riscos para viver o beijo ideal com seu namorado Jeremias, acidentalmente Mané perde de vista Redenção e para retornar à cidade que ninguém nunca encontrou, passará por uma jornada pela Bahia, conhecendo lugares e personagens tão fantásticos que irão mostrar que para encontrar Redenção, ele passará pela grande provação que é encontrar a si mesmo.
“Este livro tem um significado muito simbólico para mim, pois é meu primeiro romance fora da literatura tipicamente de entretenimento, e representou uma grande virada de chave em minha carreira, pois pude manifestar algumas angústias vividas na pandemia e adaptar a história ao longo dos últimos anos como um processo de terapia e autoconhecimento”, afirma Ian.
Antes de virar livro, o texto de “Cartografia Para Caminhos Incertos” foi adaptado para o teatro, sob o título “Ensaio para uma redenção”, peça que recebeu o prêmio de Melhor Texto pelo Prêmio Braskem de Teatro, atualmente chamado de Bahia Aplaude, a maior premiação do teatro baiano, obtendo uma grande repercussão.
“Pude perceber que ele pode abraçar outros públicos pela literatura, sendo completamente diferente de tudo que já fiz, pois não é uma obra que se preocupa com uma grande narrativa, mas que te convida a fazer um mergulho. Este livro é sobre se perder e se achar, e nós só podemos nos encontrar quando entendermos que há partes de nós que estão sempre perdidas. Nossa identidade nunca é um ponto fixo; assim como Redenção, nós estamos sempre em romaria, construindo, achando e criando novos eus ”, explica o escritor.
CARREIRA
A carreira de Ian é relativamente recente, pois apesar de ter sido envolvido pelo campo da leitura, foi apenas há dez anos que ele lançou seu primeiro romance, "O Sangue é Agreste", e já recebeu seu primeiro prêmio, o selo “João Ubaldo Ribeiro” de jovem autor inédito, categoria que foi posteriormente adicionada ao edital exclusivamente para incluí-lo e desde então, nunca mais colocada em votação. “Nunca imaginei que, logo em minha estreia neste mercado, a crítica já iria gostar do meu texto, foi uma grata surpresa e mostrou que a literatura poderia ser um espaço meu de pertencimento”, afirma o escritor e dramaturgo.
Em uma década compartilhando sua escrita com seu público leitor, já são sete livros publicados, sendo que em todos eles, incluindo neste lançamento, há algo em comum: a busca pelo ser brasileiro. “Não importa a história que eu promover, eu nunca deixarei de mostrar o que é ser brasileiro, isto é, mostrar uma diversidade/versatilidade de gêneros e estilos literários, enaltecer várias culturas e criar cosmos em que todos possam de alguma forma se identificar, desde a galera que mora nos pampas até quem mora no sertão baiano, na caatinga, por exemplo”, explica.

Depois do primeiro livro publicado, Ian colocou em mente que gostaria de ampliar o seu alcance e para isso, entrou em uma plataforma de financiamento coletivo para promover seus lançamentos seguintes, se surpreendendo novamente com a repercussão. Seus dois primeiros romances bateram recordes de 200% da meta estipulada e no terceiro romance, voltado para o suspense/terror, mais de 100% da meta foi atingida. Isso chamou a atenção da Editora Intrínseca, que chamou o escritor para estar em seu casting e lançou o grande divisor de águas do autor: “A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê”, um livro que mistura ficção científica, regionalismos e fantasia, afirmando a cultura nordestina.
Além deste projeto, outros títulos publicados com boa repercussão foram: “Araruama: o livro das sementes”, “Araruama: o livro das raízes” e “Noir Carnavalesco”, esta última com uma elemento do folclore nacional e com o prêmio ABERST de Literatura de 2020 na categoria Narrativa Longa Policial.
LITERATURA CONTEMPORÂNEA
“Cartografia Para Caminhos Incertos” é seu primeiro romance dentro do que chamamos hoje de Literatura Contemporânea, mas com pitadas de realismo mágico, sendo que sua grande inspiração e influência foi a obra do filósofo-iluminista francês Voltaire, lido por Ian na escola onde estudou há 30 anos e trabalha atualmente. “Dedico o Cartografia para todas as minhas professoras, pela importância que tiveram na minha formação literária e cujo legado busco levar adiante por toda a minha caminhada como escritor”, relata.
Mesmo diante da recente pesquisa do “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Instituto Pró-Livro e que mostra que pela primeira vez, desde o começo do estudo (em 2007), o número de não leitores ultrapassou o número de leitores no Brasil, Ian não desanima e acredita que isso só vai mudar quando o mercado perceber que a popularização do livro é a melhor saída.
“Acredito que isso vai acontecer quando criarmos uma cultura de escrita que atenda também às demandas que o povo deseja consumir, pois o brasileiro precisa se reconhecer nas páginas que lê. A literatura ainda é muito elitista, mas tem um potencial imenso para quebrar muitos paradigmas”, reflete.
* Com assessoria.

SERVIÇO:
Cartografia Para Caminhos Incertos
Autora: Ian Fraser
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 160
Link para compra: https://tinyurl.com/3t4fjy7p


Da Redação
Jornalismo




