Um dos encantadores momentos do Fringe encerra hoje sua temporada no FTC. ‘‘Hysteria’’ é um espetáculo inquietante, defendido com garra e sensibilidade por cinco atrizes do Grupo XIX de Teatro (SP), dirigidas pelo jovem Luiz Fernando Marques. O espetáculo traz a reflexão à cena na medida em que expõe o drama de mulheres internadas como histéricas num hospício carioca do século 19.
A direção partiu da sacada de separar as platéias masculina e feminina, colocando as espectadoras em cena, sentadas lado a lado em bancos. É quando a cumplicidade entre as personagens reais e fictícias se estabelece aos olhos atentos da platéia masculina.
As atrizes criam uma relação de intimidade com as convidadas, trazendo para a discussão questões como preconceito, solidão, desejo, esperança. A identificação se estabelece e, sem forçar a interação, as mulheres da platéia estão dentro do espetáculo. Em dado momento, detêm-se a observar. Em outros, dançam juntas, alegres e emocionadas.
Sem artifícios de iluminação ou cenário, a marca da montagem é a garra desse jovem núcleo teatral que conseguiu imprimir ao trabalho um caráter humanista, delicado e, sobretudo, tocante. O ambiente foi contagiado e a emoção, compartilhada. Dessa vez, por todos. (J.S.)

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