Humoristas vão brincar com clichês
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segunda-feira, 09 de junho de 2014
Anna Bittencourt<br>TV Press 
Tatá Werneck e Fábio Porchat são, provavelmente, os nomes mais "badalados" da safra recente de humoristas. Ele, além de ator, roteirista e apresentador, também é sócio do canal online "Porta dos Fundos". Ela, uma das mais importantes integrantes da trupe da extinta versão aberta da MTV, também chamou atenção como atriz, na pele da "periguete" Valdirene de "Amor à Vida", da Globo. Unir os dois, combinando suas posturas tão distintas, é a aposta do Multishow. As diferenças começam no visual e vão até na forma de conduzir a produção. Fábio é louro e alto, já Tatá é morena e baixa. Ela é mais contida, já ele é de, literalmente, gritar. O "Tudo Pela Audiência", que estreia no dia 15 de julho, vai usar o talento da dupla na arte de improvisar para brincar em cima dos clichês dos programas de auditório. "A ideia era entrar com o pé na porta. Por isso, tivemos uma ideia de fazer uma sátira com tudo que já existe nesse tipo de programa", explica Porchat.
Apesar de participar ativamente da formatação do programa, Porchat e Tatá deixam o roteiro final sob a tutela de Rosana Hermann e Rafael Fanganiello. Os quase trinta episódios da primeira temporada a segunda já é dada como certa pelo Multishow antes mesmo da estreia do programa foram gravados no Polo Rio Cine & Vídeo, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Para Marcus Fernandes, que divide a direção do programa com Hugo Possolo, a ideia de gravar o programa direto, sem cortes, como se ele fosse exibido ao vivo, dá o tom pretendido à produção. "Fica mais orgânico. A maior graça é o improviso deles. Se fosse muito ensaiado, ia soar falso", opina ele, que dificilmente interfere durante todo o processo de gravação. Apesar disso, a dupla de apresentadores chega cerca de seis horas antes do início da gravação para ficar a par do que vai rolar. "A gente chega e ensaia, vai para o palco, lê o 'teleprompter'. Mas, quando chega a hora e a plateia entra, muda tudo", confessa Tatá.
A plateia é, de fato, um tempero a mais no "Tudo Pela Audiência". Montada no esquema de meia arena, os espectadores estão ali para dar uma resposta imediata às piadas feitas por Tatá e Fábio. Além disso, a interação entre palco e plateia é feita durante todo o tempo. Quando as quatro câmaras usadas pelos diretores desligam, o público tenta atrair a atenção da dupla através de bordões utilizados por seus personagens, tanto da tevê quanto da internet. Quando está valendo, é a mesma coisa. Em quadros como "Que Homem é Essa Mulher?", "Qual é o Hino?" e "Autoajuda", os integrantes da plateia são o alvo. No quesito interação, Tatá cresce. Solta para fazer piadas até as mais pesadas e com duplo sentido , a atriz mostra que realmente está ali para ganhar a audiência. "Na verdade, a gente está subvertendo isso. Queremos fazer uma crítica a essa busca louca pela audiência", explica.
Os convidados, como em todo programa de auditório, também são peça-chave. Embora não seja obrigatória a presença de outros famosos, a maioria dos programas levam alguém para brincar com Tatá e Porchat. "Para escolher os convidados foi uma loucura. Eu trouxe umas ideias, a Tatá trouxe outras. Mas também achamos que era importante ter um programa ou outro só nós dois", explica Porchat. Além do trio Décio Piccinini, Mara Maravilha e Sérgio Mallandro, nomes clássicos em "show de calouros", que foi chamado de "Talento ou Tá Louco" no "Tudo Pela Audiência", o programa recebeu Danilo Gentili, Eliana, João Kléber, Anitta e Naldo. Como não podia deixar de ser, os assistentes de palco também ajudam a preencher a produção. Anões, fortões e mulheres de biquíni são chamados de "porchetes" e "boitatás". "É tudo uma grande piada", resume Porchat.


