Humor sim, mas refinado
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Não esperem imitações. Muito menos palavrões. Para o humorista Sergio Rabello tais expedientes, largamente explorados por colegas de trabalho, são desnecessários para se levar a platéia ao riso. Em outras palavras, ele prega e apresenta o que acabou se rotulando de humor inteligente, feito com tiradas bacanas e observações aguçadas do cotidiano. A arte de Sergio Rabello poderá ser conferida hoje, a partir das 20 horas, no Iate Clube de Londrina, no show ''O Prazer é Todo Seu''. O espetáculo faz parte do Circuito Cultural Sun Lake, empreendimento da Royal Oliveira Loteamentos & Incorporação, e é destinado apenas a convidados.
Em ''O Prazer é Todo Seu'', Sergio Rabello compila alguns dos melhores momentos escolhidos pelo público que já assistiu a seus espetáculos, apresentados com grande sucesso sua última temporada no Teatro Maksoud Plaza, em São Paulo, era para ficar três meses e permaneceu três anos em cartaz; no Rio de Janeiro, foram dois anos de apresentações ininterruptas no Teatro da Lagoa. A escolha, como explica, se dá através de um questionário em que a platéia, momentos antes do início do espetáculo, assinala alguns temas previamente selecionados pelo artista.
Para isso, ele conta com uma boa equipe de produção, o que garante uma grande rotatividade e, consequentemente, a longevidade de seus shows de humor em teatro. Em convenções e apresentações de empresa, o formato não é o mesmo por questões técnicas , mas nem por isso menos envolvente e engraçado. Entre os temas selecionados, o público londrinense poderá gargalhar, por cerca de 80 minutos, com quadros como ''Vida de careca - calvário''; ''Casamento não é loteria - na loteria é possível acertar''; ''Sogra - ninguém está livre''; ''De médico e de louco todo mundo foge um pouco''; ''A (in) comunicação nas empresas''; e o engraçadíssimo ''Concerto desconcertante - maestro biruta com duas batutas'', entre outros.
Rabello, paulista de Sorocaba, fez sua estréia no Rio de Janeiro em 1978. A marca registrada, o humor refinado que não aceita concessões. Palavrões? ''Posso falar tudo o que quero sem precisar utilizar palavras chulas. Não é puritanismo, mas não tenho o direito de agredir a platéia com palavrões''. Imitações? ''Não gosto, é lugar-comum. Quem faz isso são os ''novos humoristas'' que, na minha opinião, são mais imitadores do que humoristas. Faço humor original e sempre surpreendo o público'', garante. Futebol, a grande paixão nacional ele também não toca. O motivo: ''Eu não entendo nada''.
Sergio Rabello conseguiu sedimentar a carreira somente nos palcos. E, com isso, conseguiu a façanha de conquistar um público fiel sem precisar atuar em televisão, veículo com o qual não quer ter a menor intimidade mesmo tendo trabalhado como redator em humorísticos como ''O Planeta dos Homens'' e ''Viva o Gordo''. ''É uma postura minha. Mas eu admiro os humoristas que se propuseram a colocar a cara na televisão. No teatro posso ensaiar um número à exaustão até ficar perfeito. Sou auto-crítico'', analisa Rabello. ''Quando me chamam para entrevistas, sempre invento uma viagem. Fui ao Jô porque ele é meu amigo''
Essa aversão à televisão ou, aos que preferem, a preferência pelos palcos acaba servindo, mesmo à revelia, como marketing. Sinal de que a coerência artística aliada ao carisma e talento sempre é o melhor caminho para quem sabe o que quer. E se por um acaso você perguntar para Sergio Rabello se ele prefere Nelson Ned ou Sérgio Reis, a resposta será acidamente engraçada. ''Prefiro o Nelson Ned porque dos males é o menor''. E se alguém tiver a oportunidade, pergunte a Rabello quantos livros escritos ele tem. A resposta é, no mínimo, desconcertante.
SERVIÇO
''O prazer é todo seu''. Show com o humorista Sérgio Rabello. Hoje, a partir das 20 horas, no Iate Clube de Londrina, dentro do Circuito Cultural Sun Lake, empreendimento da Royal Oliveira Loteamentos & Incorporação. Espetáculo apenas para convidados.


