Humor refinado? Dá-lhe 'New Yorker'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2001
Rodrigo Souza Grota<BR>De Londrina 
Sofisticação, improviso e leveza. Até parece que estamos nos referindo ao jazz, gênero musical americano que notabilizou a cultura do século 20. Mas não, o tema aqui é uma publicação americana surgida em Nova York nos anos 20, que trazia estas atribuições e ainda mais um humor peculiar que nada respeitava. Eis a ''New Yorker'', revista americana de crítica e pensamentos nunca politicamente corretos. Aliás, o único traço correto da revista é a caricatura que realiza da realidade a cada edição. O site www.newyorker.com traz a última edição da revista mensal, um roteiro amplo do circuito cultural de Manhattan e um banco de dados fenomenal de cartoons, uma das caras da publicação.
Ela surgiu numa época dourada para Nova York, em que ela transitava de cidade grande para megalópole mundial. O crítico literário Edmund Wilson retratou a efervescência desses anos em ''Os Anos 20'', dias que posteriormente foram caracterizados como a ''a era do jazz''. Nesse tempo, só escritor tarimbado aparecia na revista Scott Fitzgerald, Dashiel Hammet, Lillian Hellman, H. L. Mencken. Para se ter uma idéia do prestígio da revista, os jornalistas no Brasil que sofrerem influência da ''New Yorker'' formam um time composto por Paulo Francis, Ivan Lessa, Ruy Castro, Sérgio Augusto, Daniel Piza, gente que escreve muito, e, detalhe, sobre tudo. Sem limites, mas com muito estilo. A essência da revista, e talvez o que provocou a permanência de seu alto padrão por tanto tempo reside na confiança que os editores atribuem aos seus repórteres. Textos imensos, subjetivos, interpretativos, verdadeiros ensaios sobre a realidade, eis o que a ''New Yorker'' tem de melhor, e que pode ser acessado gratuitamente agora.
A homepage, construída pela renomada CondéNet, tem um visual limpo, que facilita a navegação e o passeio pelos links do site. Há artigos diversos, sempre com uma visão diferenciada sobre a arte. ''Getting Dizzy'', por exemplo, é um ensaio de Richard O. Boyer sobre uma apresentação do grande Dizzy Gillespie em 1948, época em que nascia o bebop. ''The Pop Bubble'' está na seção ''A Critic at Large'', um texto assinado pelo prestigiado escritor britânico Nick Hornby, autor de ''Febre de Bola'' e ''Alta Fidelidade''. Há uma crítica à montagem ''The Seagull'', que atualmente está no Central Park, intitulada ''Chekhov in the City'', de John Larr.
Um dos grandes trunfos da revista foi trazer sempre autores inéditos, geralmente de fina estampa. Na última edição, foi vertido do japonês para o inglês o conto ''Honey Pie'', de Haruki Murakami. Entre as críticas de cinema, há um texto bem humorado sobre ''Bem-vindos'', último filme da revelação sueca Lukas Moodyson, mesmo diretor de ''Amigas de Colégio''. O mestre sueco Ingmar Bergman elogiou o estilo do novo diretor e a ''New Yorker'' mostra mais uma vez que a vanguarda artística nunca lhe foi distante. Enfim, um site sofisticado, com bons textos e ótimas ilustrações, como a caricatura que Abe Birnbaum fez do trumpetista Gillespie. Se o usuário preferir assinar a revista, devido à beleza das capas, pode acessar o link ''subscribe'' e optar por uma assinatura anual ou semestral. Apesar da melhor qualidade impressa, a homepage não deixa a desejar.
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