''Os dons não são iguais para todos. Uns têm um, outros têm outro.'' A frase, dita pela presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina (Adevilon), Idalete Rosa, não é para justificar a própria deficiência visual, mas sim o interesse dela e de outros oito associados pelo teatro.
Participando da oficina ''O riso como elemento transformador para portadores de deficiência visual'', promovida pelo Festival Internacional de Londrina (Filo), esses nove adultos mostram que o fato de não enxergarem não atrapalha em nada suas atuações como palhaços. ''Não faz diferença. A gente só não enxerga; os outros sentidos funcionam legal'', brinca.
Na verdade, a deficiência até contribui. ''Auxilia em alguns pontos. Eles têm a audição mais apurada, maior sensibilidade tátil e os movimentos têm mais precisão em comparação com os que enxergam'', analisa Lucciano Draetta, palhaço há 15 anos e ator e diretor do Circo Navegador, em São Paulo.
Desde o dia 7, os participantes estão tendo exercícios de técnica e ensaios, além de receberem orientações para montar o próprio figurino aproveitando roupas e acessórios que tinham em casa. Divididos em dois grupos, cada um vai criando e moldando a própria atuação, tomando como base algumas brincadeiras clássicas dos palhaços. ''Buscamos um equilíbrio entre o que eles absorvem e a criatividade de cada um'', explica Draetta.
Para ele, o trabalho pode ser visto como uma atividade ocupacional, mas também como uma prática cênica que pode ser levada adiante, tornando-se até uma profissão. ''É no mínimo mais uma experiência que vai alimentá-los'', reflete. O professor já havia ministrado uma oficina semelhante no ano passado, mas resolveu expandir a carga horária para poder aprofundar mais o trabalho.
Os participantes aprendem também um pouco de domínio de corpo e equilíbrio com os exercícios técnicos, mas nenhum benefício supera a satisfação pessoal. ''Nós ficamos adultos, mas lá no fundo ainda tem um pouco de criança com a gente. É bom fazer as pessoas rirem, traz muita alegria para nós mesmos'', comenta Tânia Regina da Silva Vieira, a palhaça Reginete.
A trupe se apresenta hoje para os alunos do colégio Vicente Rijo e do Centro de Educação Infantil Ampas. Amanhã, haverá uma apresentação aberta ao público às 15 horas no Sesc Londrina. Como o grupo quer dar continuidade ao trabalho, quem tiver fantasias para doar ou quiser orientá-los pode entrar em contato com a Adevilon pelo (43) 3329-8143.
Serviço
Quando - Amanhã, 15h
Onde - Sesc Londrina (R. Fernando de Noronha, 264)
Quanto - Gratuito

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