Humor escancarado nas bancas
Arquivo FolhaZiraldo: No governo FHC, a produção cultural brasileira resultou na revista Caras, no grupo É o Tchan, nas bundas emergentes, cantores de quinta categoria e composições de baixíssima qualidadeHUMOR
ESCANCARADO NAS BANCAS
Ziraldo lança a revista Bundas, um contraponto da Caras, um libelo contra o exibicionismo nacional
Simone Mattos
Uma revista chique, com humor refinado, que deverá contrabalançar com toda a breguice que invadiu a cultura brasileira nos últimos anos, chegará às bancas de todo o Brasil nesta semana. Estas são as palavras do criador e editor da polêmica revista Bundas, o cartunista, jornalista e humorista Ziraldo Alves Pinto. Entre os muitos colaboradores de peso, a publicação contará com o curitibano Dalton Trevisan, que já confirmou a sua participação nos próximos números.
Será uma glória para nós termos ele na Bundas. Dalton será um colaborador típico, explica Ziraldo. Aliás, por falta de colaboradores de peso a Bundas não irá perecer. Segundo Ziraldo, já há material suficiente para fechar umas dez edições da revista. Há muita gente doida para falar, para expressar suas idéias, afirma.
Ele fala de gente como Millôr Fernandes, Jaguar, Angeli, Aroeira e o próprio Ziraldo, todos colaboradores já do primeiro número da revista. Segundo ele, nas 52 páginas da primeira edição da Bundas só tem cobras criadas,
A quantidade enorme de colaboradores que apareceram, todos com matérias que refletem a indignação, não é de graça, diz. Isto estaria refletindo a caótica situação cultural do país. Queremos lançar jovens na revista, mas antes disto teremos que esgotar a imensa oferta de colaborações que estamos recebendo, confessa Ziraldo.
Uma delas, que ganhou as páginas centrais da primeira edição, é um cartoon assinado por Aroeira, onde ele fez uma alusão à obra Lição de Anatomia, assinada pelo pintor holandês Rembrandt. Foi um dos melhores cartoons que eu já vi, afirma o editor.
Em edições semanais, a revista Bundas debaterá variadas questões, com muito bom humor, através de resenhas, crônicas e sátiras que pretendem promover alguma reflexão no País. Além disto, a publicação falará ainda sobre lançamentos de livros, espetáculos e assuntos culturais em geral.
Criada com a proposta de apresentar reflexão, humor e deboche escancarados, a revista Bundas, na opinião de Ziraldo, ainda precisa acertar o seu tom. Ele acha que a primeira edição ficou séria demais, deixando de explorar o lado moleque do brasileiro. Estamos fazendo na base do feeling, sem pesquisa, dando tiros no escuro, justifica.
Ajustes à parte, a revista Bundas, que já está circulando no Rio de Janeiro e em São Paulo desde a semana passada, é um bálsamo para os que estão cansados de procurar por algo de qualidade. No governo FHC, a produção cultural brasileira resultou na revista Caras, no grupo É o Tchan, bundas, emergentes, cantores de quinta categoria e composições de baixíssima qualidade, ataca.
A revista irá criticar o exibicionismo desenfreado de artistas,
políticos e socialites, que apresentam semanalmente na revista Caras as suas casas, jóias e carros. A partir daí, foi criado o slogan da nova revista: Quem põe a bunda na Caras, não põe a cara na Bundas.
Outro alvo fácil da revista de Ziraldo serão as dançarinas e modelos que têm conquistado altos índices de audiência nacional graças aos rebolados frenéticos.
Estas moças que mostram suas bundas para todo o Brasil inauguraram uma nova forma de prostituição, aceita pela sociedade e pelos seus pais, já que eles conseguem melhorar o seu padrão de vida graças a isto, ataca. No meu tempo, putinhas eram expulsas de casa, hoje elas sustentam a casa.
Ziraldo avisa que quem estiver esperando que a Bundas seja mais uma bunda nacional ou uma revista de sacanagem ficará decepcionado. Segundo explica ele, a publicação não será marrom, mas sim solar e luminosa. Sei que há muita gente inteligente no Brasil e agora poderemos saber quantas são através da tiragem da revista, desafia ele.





