Humor e lirismo em "Brasil, Outros Quinhentos!", que estréia amanhã
São Paulo, 21 (AE) - Ao receber uma encomenda do Grupo Teatral Dragão 7 para escrever uma peça contando a história do Brasil, Carlos Alberto Sofredini, autor de belos textos como "Na Carreira do Divino" e "Pássaro do Poente", resolveu assumir o ponto de vista dos codjuvantes. Um ponto de vista que o público pode compartilhar a partir de amanhã (22), com a estréia de "Brasil, Outros Quinhentos!", no Teatro Imprensa.
Sob direção de Creusa Borges, com 19 atores no elenco, o espetáculo transforma em codjuvantes personagens como Pedro álvares Cabral, Tiradentes, d. João VI, a princesa Isabel e eleva à categoria de protagonistas gente como um grumete meio bêbado que, da caravela, avista o Monte Pascoal. "Antes de mais nada, dá para imaginar a dimensão dessa encomenda, contar a história do Brasil em pouco mais de uma hora", comentou Sofredini.
Cada ator reveza-se em seis ou mais personagens para dar conta da visão muito particular que Sofredini imprimiu à essa história nada oficial do Brasil. Uma opção que não significa exatamente invenção. "Há muitos interesses escusos por trás de fatos relevantes da história brasileira", diz o autor. E alguns vêm à tona na peça, como por exemplo o interesse da Inglaterra recém-industrializada na abolição da escravatura. "Produtos precisam de mercado, de público consumidor e escravo não compra". Um enfoque presente no espetáculo que, certamente, não retrata a princesa Isabel exatamente como uma heroína.
Trechos de obras de poetas como Castro Alves e Cecília Meirelles também foram utilizados por Sofredini na peça, que alterna momentos de humor e lirismo. "Não poderia ser de outra forma, do contrário ficaria um espetáculo muito chato". (B.N.)





