Humor de graça
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quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Anna Bittencourt<br>TV Press 
O humor sempre esteve presente na vida de Renata Castro Barbosa. Não é à toa que seus papéis de maior destaque na tevê foram ligados ao gênero, como em "A Diarista" e "Junto & Misturado" . O motivo disso talvez seja a fala empolgada, o raciocínio rápido e a leveza que a atriz carrega consigo.
Sempre com uma boa história para contar e rindo de seus erros e acertos ao longo de quase 30 anos de carreira, ela atualmente se divide entre o "Zorra", da Globo, e o "Treme Treme", exibido pelo Multishow. "Fico muito confortável nessa posição. Estou feliz como há tempos não ficava", jura, dizendo que nem sempre pensou em seguir para tons mais leves no campo da dramaturgia. "Foi o Bruno (Mazzeo, ator) quem disse que eu deveria apostar nisso", diz a atriz, que foi casada com Mazzeo e participou de diversos trabalhos com ele.
Apesar de feliz com a trajetória, Renata não descarta fazer tipos mais densos na tevê. "Tenho vontade de fazer muitas coisas ainda. Não necessariamente voltadas ao humor", planeja.
O convite para participar do "Zorra" veio logo após a notícia da reformulação do humorístico. Em sua antiga fase, ela já havia sido convidada para participar, mas alega que não sabia como compor um personagem para aquele tipo de humor. "Não sou daquelas pessoas que têm problema com o 'Zorra' antigo. Pelo contrário, tenho o maior respeito. Só acho que eu não saberia construir um personagem para apresentar toda semana", explica.
Após uma conversa com o Marcius Melhem, que assina o roteiro, e com o diretor Maurício Farias, Renata decidiu apostar no novo formato. "Acho que o humor está evoluindo e a gente tem de acompanhar para ganhar novos tipos de público. Rolava um medo de mexer nessa casa de marimbondo, era um programa que estava no ar há 15 anos. Mas acho que saímos ganhando", avalia, aos risos.
Renata também tem uma longa relação com o Multishow. Em 2005, ela participou do "Cilada", ao lado de Bruno Mazzeo. No ano passado, voltou para uma empreitada autoral. Ao lado de Luciana Fregolente amiga de longa data e uma das atuais redatoras do "Zorra" , escreveu e atuou em "Alucinadas". "É um projeto que temos há muitos anos no teatro e levamos para a tevê", conta. Sem tempo para se dedicar a uma segunda temporada por priorizar o "Zorra", Renata recusou convites para participar de "Verdades Secretas" e "Eta Mundo Bom", próxima novela das seis , algumas personagens que ela interpretava no "Alucinadas" foram para o "Treme Treme". "Tenho uma relação muito boa com o canal e foi muito prazeroso levar um personagem meu para outro programa", afirma, orgulhosa.
Carioca, Renata começou a fazer teatro ainda criança. "Era um 'bicho do mato'. Ficava sempre quieta pelos cantos. Fui fazer umas aulas e me apaixonei", relembra. O convite para as novelas veio logo. Em 1989, ela participou de "Vale Tudo" e, no ano seguinte, de "Tieta". "Foi muito rápido, nem vi acontecer. Mas quando acabou 'Tieta', vi que precisava estudar", conta, dizendo que procurou a CAL Casa das Artes de Laranjeiras, importante celeiro de atores no Rio de Janeiro. De lá para cá, pensou em se dedicar a outras carreiras. Fez vestibular para Psicologia e Jornalismo. Mas, sempre antes de começar o curso, era chamada para algum trabalho. "Penso em desistir da carreira de atriz todas as vezes. É uma profissão difícil", avalia.
Apesar de se dizer apaixonada pelo ofício, ela quer investir em sua porção autora. Além de estar trabalhando em um roteiro para levar o "Alucinadas" para o cinema, Renata pensa em escrever uma produção para a tevê. "Ainda não tenho coragem de mostrar alguma coisa minha. Até porque me acho muito dramática escrevendo, meio piegas. Mas tenho vontade", admite.


