Humor convertido em poesia
Marcos Losnak
Especial para a Folha2
Pode-se dizer que existe, há grosso modo, dois tipos básicos de humor. No teatro eles ficam mais visíveis, identificáveis. De um lado estaria o humor que faz com que o espectador, através das informações/estímulos oferecidas pelo artista, ganhe leveza e, levitando, atinja a graça do riso. Do outro lado estaria o humor que faz com que o espectador ganhe peso e, com os pés no chão, atinja a graça do riso.
Isso não significa que no primeiro caso temos um riso leve, e no segundo um riso pesado. O riso pode ser o mesmo, variando apenas de voltagem. A grande diferença está nos meios e não nos fins. É no caminho que cada humor percorre para tingir o riso, embora semi-oculto, que reside a diferenciação estética.
O norte-americano Moshen Cohen, presente no Filo/99 com o espetáculo ‘‘Mr. YooWho’’, integra a estirpe de clowns (palhaços) que trabalham com a estética que leva o espectador ao riso através da leveza, da suavidade.
Partindo de clássicos elementos da tradição de clown, o ator insere ingredientes contemporâneos onde a simplicidade ocupa lugar de destaque. Troca o excesso de virtuosismo do malabarismo pela plasticidade dos objetos em jogo.
Em ‘‘Mr. YooWho’’ o humor assume, literalmente, um caracter poético. Uma narrativa que ergue um edifício de ludicidade para cada casinha de cachorro de malícia. Um poética que talvez apenas os lúdicos de coração sejam capazes de compreendê-la em sua real dimensão, como parte da vida.

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