Michele Muller
De Curitiba
Especial para a Folha2
Há cerca de três anos, ainda desconhecida, a atriz Cláudia Rodrigues – hoje parte do elenco do programa ‘‘Zorra Total’’, na Rede Globo – celebrava a conquista do Prêmio Multishow do Humor Brasileiro. Ao seu lado estava outro classificado no concurso: o paranaense Diogo Portugal, que daquele início de carreira para cá talvez tenha se transformado no maior representante do humor no Estado. A comediante Gorete Milagres – vejam só – também participou do evento e sofreu o desgosto de não ter figurado nem entre os finalistas.
O reconhecimento serviu de estímulo para que Diogo dobrasse sua dedicação ao trabalho humorístico que vinha desenvolvendo. Criou diversos personagens, imaginou situações, e montou espetáculos que frequentemente são vistos em eventos promovidos por empresas. Cada platéia merece um show diferente. ‘‘Eu adapto os assuntos conforme as características da companhia para qual o público trabalha’’, conta.
Sua participação em encontros empresariais, que vão de festas de final de ano a lançamentos de produtos, tem um importante papel. ‘‘O espetáculo serve para quebrar o gelo num ambiente muito sério’’, explica. Mas nem só de ambientes sérios está sendo construída a trajetória artística do comediante.
Quando esteve recentemente em ‘‘Sem Limites Para Sonhar’’, apresentado por Fábio Júnior, quase dobrou os índices de audiências do programa da TV Record, que pularam de 8 para 14 pontos no Ibope. A aceitação foi tanta, que ele poderá ser visto novamente, ao vivo, num especial de Natal comandado pelo cantor. Seus planos também estendem-se aos palcos. ‘‘Quero estrear um show em algum teatro de Curitiba no ano que vem.’’
As caretas de Diogo não são oriundas de nenhuma escola de ator cômico. Ele percebeu que era engraçado quando trabalhava como guia turístico levando crianças e adolescentes em excursões à Disney. ‘‘Eles achavam muita graça nas minhas brincadeiras. Então comecei a emendar uma piada na outra’’, lembra.
O artista segue uma linha humorística raramente produzida no Paraná. ‘‘Mas não é preciso se naturalizar paranaense para ser engraçado’’, brinca. Dirigidos por Alexandre Benatto, que também assina alguns textos, os espetáculos são recheados de piadas sobre situações cotidianas. Ele faz o que se chama de ‘‘stand up comedy’’, com um estilo bastante próximo ao de Jerry Seinfeld – o humorista mais popular dos Estados Unidos no momento.
‘‘A diferença entre meu o trabalho e o de Seinfeld – de quem sou um grande f㠖 é que eu também crio alguns personagens e imito algumas personalidades’’, diz. Impossível não reconhecer os trejeitos de Rafael Greca, Tony Garcia ou Gustavo Kuerten nas brincadeiras de Diogo. Engana-se quem atribui a aguçados olhos observadores essa capacidade de imitação. ‘‘Não me considero um bom observador. Na verdade, tenho facilidade de assimilar o que vejo’’, justifica.
Grande parte de sua performance é feita com um exagerado sotaque paranaense. – para a surpresa do público local, que raramente se reconhece em shows humorísticos. ‘‘Meu humor é universal, mas tem um lado regional bem forte. Eu levo ao palco as características dos curitibanos, assim como o comediante de Minas fala dos mineiros, o do Rio Grande do Sul fala dos gaúchos.’’
Para viver as figuras que povoam suas apresentações, o artista dispensa qualquer fantasia, maquiagem e peruca estilo Tom Cavalcante. A transformação fica mesmo é por conta do talento.

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