Humor com RG paranaense
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quinta-feira, 04 de outubro de 2018
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Hallorino Junior nasceu em Tibagi, nos Campos Gerais. Bom observador, começou a criar seu repertório de personagens ainda na infância, prestando atenção em sotaques e trejeitos típicos do interior. Anos depois, tornou-se um piadista de colégio. Achou que estava pronto como comediante, mas descobriu que mesmo para fazer piada era necessário estudar muito. Montou um grupo de teatro na cidade e, com alguns textos prontos, arriscou-se pela primeira vez nos palcos em 2010.

O reconhecimento veio com seu personagem "Carmo", já em Ponta Grossa. Em seguida, Hallorino se estabeleceu em Curitiba. No entanto, graças às origens do interior, ele é um dos poucos comediantes que conseguiu ultrapassar os limites do humor da capital, que tem piadas calcadas em palavras específicas da Região Metropolitana de Curitiba. Seus personagens e piadas com o "jeitão paranaense" fazem rir em qualquer lugar.
Você se vê como um representante do humor do Paraná?
O paranaense tem um dos sotaques mais engraçados para contar uma história. Os cearenses têm muito disso, uma identidade no humor. Em qualquer lugar que ele vá, o público saberá que é um cearense. E essa é uma coisa que está vindo muito forte agora no Paraná. Quando fui fazer meu primeiro show em São Paulo, fui aconselhado a não forçar o sotaque, me falaram que São Paulo era diferente. Resolvi arriscar e foi um sucesso. Sou bicho do Paraná, mesmo. Tenho uma araucária tatuada e onde for vou levar isso comigo, esse jeitão nosso. Não quero perder a minha essência.
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Você acha que o humor ajuda a reforçar uma identidade paranaense?
Em alguns lugares do País, as pessoas acham que o pessoal do Sul é tudo mesma coisa, que Paraná e Rio Grande do Sul é tudo igual. "Conta uma piada aí, gaúcho" (risos). Mas aos poucos, estamos conseguindo nos desvencilhar do gaúcho, que também são ótimos humoristas. Mas temos uma diferença grande. Morei um ano no Rio Grande do Sul. Nosso sotaque é mais forte, o deles é mais cantado. E, além disso, temos nossas particularidades.
Quais são suas referências?
Minhas referências são bem anteriores ao stand-up. Eu ainda nem conhecia o gênero e já gostava de coisas como Chaves, os Simpsons. Mas também gostava de coisas bem brasileiras, como Café com Bobagem, o Pânico, no início. Eu via esse pessoal e falava comigo mesmo que eu sabia fazer aquilo, porque já fazia umas gracinhas no colégio. Foi aí que me enganei. Descobri que tinha que estudar muito para ser um bom humorista e comediante. Debrucei sobre livros e fui aprimorando as técnicas. Então, tomei contato com o stand-up, com Diogo Portugal e outros feras. Preparei uns textos mas, só em 2010 tomei coragem de subir no palco.


