Humor aposentado
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Eduardo Elias, Agência Estado. 
A mudança de Chico Anysio para os Estados Unidos, há duas semanas, teve um significado simbólico: o comediante era o último remanescente de uma geração. O término de seu Chico Total coincide com a aposentadoria (forçada) de um estilo de humor. Gente que brilhou, na época dos quadros fixos e bordões, está hoje longe do vídeo, reinvindicando o espaço que tiveram um dia.
Não acho graça nenhuma nisso, diz Agildo Ribeiro, que já teve programas na Bandeirantes, na Manchete e no SBT. Os caras devem me odiar, porque não me chamam por nada neste mundo.
Há duas semanas, Agildo estreou, no Rio, a peça O Silicone. Ele garante estar pronto para qualquer tipo de papel. Sou adaptável, diz o humorista, que começou no teatro de revista, foi o companheiro do ratinho Toppo Giggio e fez até novela (De Quina pra Lua, de 1985).
Quando comecei, a gente admirava humoristas como Oscarito, Dercy e Costinha, lembra. Hoje, um quer morder a orelha do outro. No ano passado, Agildo gravou um programa semanal para a TV portuguesa. Quando voltou, Chico Anysio chegou a pedir para que o substituísse temporariamente no programa, em função de seus problemas de saúde. O Boni vetou, diz.
RESISTÊNCIA - O único programa atual que mantém a antiga fórmula do humor é A Praça é Nossa, do SBT. Consegue a excelente média de 20 pontos no Ibope. O programa lançou nomes como Moacyr Franco, que começou como o mendigo que pedia um dinheiro aí. Hoje, aos 60 anos, Moacyr divulga seu CD, cujo carro-chefe é uma canção em homenagem a Chico Xavier.
A praça é o último reduto para humoristas como Ronald Golias e José Vasconcelos, que a cada 15 dias surge como o gago. Em cartaz até o fim do mês em São Paulo com o espetáculo O Rei do Riso, Vasconcelos, aos 71 anos, também reivindica o retorno. Estou lutando para isso, diz o humorista, que em 1952 já recebia convidados amalucados em seu programa A Toca do José, da Tupi. Nada do que vejo hoje tem graça, lamenta. O humor, além de apelativo, está relegado a segundo plano.
O destaque do Sai de Baixo é a Marisa Orth, que não é comediante, é atriz, afirma ainda o humorista. Seu antigo sonho, o parque Vasconcelândia, acabou transformado num pesadelo. Afundado em dívidas, o empreendimento acabou leiloado na Justiça. A vida nos prega peças, diz.
MIÉLE - Miéle é outro que também brilhou nos humorísticos, como o bon vivant que vivia de smoking e rodeado de mulheres. O Casseta & Planeta é engraçado, mas os intérpretes não, diz o humorista, que fez uma participação no filme O Homem Nu, de Hugo Carvana. Há cinco anos, ele apresentava Coquetel, do SBT, uma gincana em que as garotas tim-tim podiam fazer strip-tease. Hoje é uma fórmula ingênua, admite.
Funcionária da Globo, Berta Loran estava escalada para o seriado As Tias, que foi cancelado. Só soube por um jornalista, diz. Aos 71 anos, ela cuida bem de sua forma física, faz ginástica diariamente, só come legumes e verduras e apresenta-se no show Divirta-se com Berta Loran. Depois de 17 anos nos programas de Jô Soares e outros quatro na Escolinha do Professor Raimundo, ela gostaria de fazer novela. Berta se destacou como a empregada Frozina de Amor com Amor se Paga. Fã de Cláudia Jimenez, diz estar decepcionada com o humor apelativo. E reclama: Deveriam mesclar os veteranos e os jovens. O humor na TV está lá embaixo.


