Humor e rock'n'roll. Poucas vezes no Brasil as duas coisas andaram de mãos dadas em uma união tão adequada quanto nos traços do cartunista Márcio Baraldi, que completa 25 anos de carreira exibindo vontade de um guri fanzineiro e a energia de um roqueiro que conhece bem o seu palco. Seu álbum mais recente, ''Humortífero'', publicado em parceria entre a editora Opera Graphica e a revista Metal Head, é concorrente ao Troféu HQMix, premiação dos quadrinhos nacionais, como Melhor Publicação de Humor deste ano.
Baraldi é figura fácil de encontrar nos eventos de quadrinhos em São Paulo, seja pelo seu bom humor ou pelo jeitão irreverente de apresentar seu trabalho para os leitores e colegas de profissão. Mesmo depois de emplacar seus mais famosos personagens - Roko Loko e Adrina Lina, dois fãs de rock com aquela ''dureza'' tupiniquim - em todo o Brasil, com tiras publicadas em revistas como Rock Brigade, Metal Head e Dynamite, o artista continua apostando na forma mais trabalhosa de chegar ao público do underground: na divulgação boca-a-boca e nas vendas corpo-a-corpo.
O resultado? O cara conseguiu imortalizar suas criações em forma de miniaturas colecionáveis, publicou quatro álbuns pela Opera Graphica Editora e até mesmo viabilizou um jogo de computador, com direito a camiseta. Bastante, principalmente para quem sempre manteve a veia alternativa sem mudar o estilo de seus quadrinhos: despretensioso, sem papas na língua, tosco quando preciso e sempre engraçado.
Exemplos disso estão em duas edições que resumem bem o ''conjunto da obra''. ''Roko Loko e Adrina Lina'' usam e abusam de referências ao mundo do rock (uma aula para os roqueiros iniciantes) em suas tirinhas, cheias de brincadeiras com a nona arte. Exemplo disso é o impagável encontro dos mutantes X-Men com o grupo ''Os Mutantes'' ou as ironias com artistas nacionais, nas piadinhas com ''Chaetano Veloso'', ''KLBosta'', entre outros.
Em ''Humortífero'', a premissa segue a mesma: desenhos simples e bem coloridos, icônicos e diretos no assunto, cartunescos em tom de paródia. Sínteses bem sacadas que conseguem em pouco espaço fazer rir, com participações para lá de especiais de grandes figuras da história do rock, entre eles Raul Seixas, Kiss, Ramones, Sex Pistols, Danzig, Ian Curtis, e por aí vai. Sobra até para os amigos das bandas nacionais, que vez ou outra ganham uma homenagem gráfica.
O material por sí só já seria motivo suficiente para os roqueiros irem às bancas procurar por quadrinhos que vestem tão bem quanto qualquer camiseta preta de banda. No entanto, sua adoração pela música e os quadrinhos e a aproximação com quem está ''vendo a banda tocar'' são tão intensas que fica impossível ignorar suas histórias. Mesmo para quem não é fã de guitarra.
Delivery Service of Corpse: Volume 2
Chega às bancas a segunda edição das necroaventuras do grupo de Serviço de Entrega de Corpos, composto por Numata, Kurô, Makino, Aosagi e Yata, jovens com capacidades incomuns de lidar com os mortos.
Nesta edição a trama traz em ritmo de seriado de horror teen o envolvimento do protagonista com uma organização que, ao longo da aventura, vai se mostrando cada vez menos confiável. O roteiro de Eiji Ohtsuka mantém o mistério e o interesse do leitor por toda a trama e também inclui pitadas de humor (negro) e erotismo em alguns dos quadros, bem ilustrados por Housui Yamazaki, que segue a escola clássica de traços realistas em cenários e cartunescos nos personagens. Apesar da premissa adolescente, a usual dobradinha sexo e violência faz com que a publicação seja sugerida para o público adulto.

SERVIÇO
- Roko-Loko e Adrina Lina
Formato - 21 x 28 cm, em 52 páginas coloridas
Quanto - R$ 12
- Humortífero
Formato - 48 páginas coloridas
Quanto -R$ 10
Mais informações - www.marciobaraldi.com.br
- Delivery Service of Corpse: Volume 2
Formato - 13,4 x 20,2 cm, com 208 páginas em preto-e-branco
Quanto - R$ 12,90

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