Humor & Cia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de novembro de 1998
Ana Lúcia do Vale Cult Press 
O último Festival de Cinema de Brasília causou um grande rebuliço no meio artístico. Principalmente por conta de alguns filmes injustiçados e algumas novas categorias de premiação indecifráveis, como a de Melhor Colagem Antropofágica. Apesar das reclamações gerais, os prêmios para o longa Amor & Cia, que arrebatou os Candangos de melhor filme, atriz e direção de arte, não mereceram contestação. Essa comédia romântica, dirigida por Helvécio Ratton, chega hoje aos cinemas.
Amor & Cia é o terceiro longa do mineiro Ratton, que havia comandado os infantis A Dança dos Bonecos e Menino Maluquinho, O Filme. A história do filme foi baseada no romance Alves & Cia, escrito pelo português Eça de Queiroz, autor, entre outros, de O Primo Basílio e de Os Crimes do Padre Amaro. O autor tinha como marca usar o humor para ridicularizar a pequena burguesia. A novela Alves & Cia, escrita em 1883 mas só publicada postumamente em 1925 pelo filho de Eça, segue o mesmo estilo.
A adaptação para as telas foi feita pelo irmão do diretor, Carlos Alberto Ratton. A história foi transposta de Lisboa para São João Del Rey, no final do Século XIX. No filme, Marco Nanini interpreta o rico comerciante Godofredo Alves, que levava uma vida estável com a jovem esposa Ludovina até que, no quarto aniversário de casamento, a encontra nos braços do sócio Machado. A interpretação de Ludovina valeu para Patrícia Pillar o Candango de melhor atriz. Patrícia chega até a soltar a voz na música-tema de Carlos Gomes e não desaponta. Machado, o suposto amante de Ludovina, é vivido por Alexandre Borges, protagonista de Terra Estrangeira.
Ao acreditar que está sendo traído, Godofredo resolve expulsar a mulher de casa e desafiar o sócio para um duelo mortal. Só que sofre loucamente por não tê-la mais ao seu lado. Ludovina vai parar na casa do pai, Neto, feito pelo impagável Rogério Cardoso. Ao mesmo tempo que a acolhe com todo o afeto, Neto tenta tirar partido da situação e negocia com o ex-genro uma polpuda pensão da qual também pretende desfrutar.
Helvécio Ratton conseguiu transpor para as telas o humor sarcástico de Eça de Queiroz. Entre idas e vindas, Amor & Cia vai mostrando o ridículo da burguesia do final do século passado - crítica que poderia muito bem servir para os dias de hoje. Depois de Brasília, Amor & Cia continua no circuito dos festivais. O filme é o único representante nacional no Festival de Mar Del Plata, que começa quinta-feira da próxima semana.
Amor & Cia - (Brasil - 1998). Direção: Helvécio Ratton. Elenco: Marco Nanini, Patrícia Pillar, Alexandre Borges, Rogério Cardoso, Claudio Mamberti e Maria Sílvia. Roteiro: Carlos Alberto Ratton, baseado na novela Alves & Cia, de Eça de Queiroz. Música: Tavinho Moura. Produção: Quimera Filmes. Distribuição: Rio Filmes. Duração: 95 minutos. Lançamento nacional.


