Humberto Werneck realiza bate-papo e workshop
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terça-feira, 04 de junho de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Um dos maiores e mais atuantes cronistas brasileiros, Humberto Werneck, 68 anos, participa hoje, em Londrina, de bate-papo e workshop sobre o universo da crônica, dentro da programação do Autores&Ideias promovido pelo Sesc. Depois daqui, segue para Foz do Iguaçu (11/06), Maringá (12/06) e Paranavaí(13/06). Os eventos são gratuitos, mas em Londrina é necessário fazer inscrição antecipada pelo telefone (43) 3305-7800.
E como o próprio tema do evento sugere - "Crônica, uma conversa ao rés do chão" - não deverá faltar assunto para falar da "grandeza que se esconde atrás das miudezas". "As coisas miúdas do cotidiano são o material do cronista. Em uma boa crônica o modo como se diz é tão importante quanto o fato em si, e às vezes traz tantas nuances que é difícil até de explicar o texto que foi lido", comenta Werneck, em entrevista por telefone. O tema presta homenagem ao grande crítico literário Antonio Candido, que escreveu "A vida ao rés do chão", considerado o melhor texto sobre crônica, na opinião de Werneck.
Defensor de que a crônica é antes de tudo um gênero literário, o autor afirma que ela vai na contramão dos noticiários jornalísticos, que sempre estão em busca da objetividade e cada vez mais sisudos e tristes. "A crônica é o espaço para a subjetividade, a poesia e o humor, o que não quer dizer necessariamente que seja um texto fácil de ser lido, já que também pode ser literatura, arte. E o leitor anseia por isso. Ler uma crônica é muitas vezes um oásis", destaca, citando alguns dos seus cronistas preferidos, como Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. "E os textos deles são tão bons que resistem ao tempo, não têm rugas, e continuam a tocar os leitores atuais, mesmo que eles não tenham nascido na época em que foram escritos", acrescenta.
Sobre a experiência de falar sobre crônicas para públicos diversos, Werneck é taxativo em dizer que é incontestável o grande interesse do leitor brasileiro por esse gênero, que descende do folhetim francês, na metade do século 19. "E não concordo com essa ideia de que o brasileiro gosta de crônicas porque são textos curtos, não tem o hábito da leitura. É mais uma coisa cultural. Assim como no caso do futebol, que nasceu inglês, mas 'demos cintura a ele', o mesmo aconteceu com a crônica brasileira, que é extremamente apreciada por nós", analisa.
Natural de Belo Horizonte (MG), Humberto Werneck mudou-se para São Paulo (SP) em 1970. Escritor, biógrafo e cronista, é autor de livros como "Esse inferno vai acabar", "O espalhador de passarinhos", "O pai dos burros", "O santo sujo A vida de Jayme Ovalle", "O desatino da rapaziada" e "Pequenos fantasmas". Jornalista, começou a carreira no Suplemento Literário do Minas Gerais. Depois, passou pelas redações de Veja, Jornal da República, IstoÉ, Jornal do Brasil, Elle e Playboy, e foi correspondente do Jornal da Tarde em Paris. Atualmente, publica suas crônicas no Estado de S. Paulo e no site Vida Breve.
Serviço:
Bate-papo "Crônica, uma conversa ao rés do chão", com Humberto Werneck
Quando Hoje, às 20h
Workshop A crônica brasileira com Humberto Werneck
Quando Hoje, das 15h às 17h
Onde Sesc Londrina (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Quanto Gratuito, mas é necessário se inscrever antecipadamente
Mais informações (43) 3305-7800


