HQ nacional ganha novos títulos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de abril de 1998
Pedro Cirne de Albuquerque Agência Folha 
O fim de março deixou três bons frutos para os fãs de quadrinhos brasileiros. A revista mineira Nektar e as paulistanas Fêmea Feroz e Almanaque Terror Especial são boas amostras de estilos que podem ser trilhados pelos novos quadrinhistas, que encontram dificuldade em levar suas HQs ao público. Nektar foi criada em Uberlândia (MG), trazendo histórias de jovens autores locais. A revista, em preto-e-branco, é graficamente muito bem produzida e traz 20 histórias curtas, que trazem um tipo de quadrinhos pouco visto (e produzido) no país. Em vez de histórias infantis, eróticas ou de super-heróis, povoam as páginas de Nektar pequenos contos, que oscilam entre o intimismo e a ficção científica.
Coisa rara de ver entre os brasileiros, sua arte, embora siga alguns padrões, procura ousar na diagramação. Em seus personagens há mais sentimentos do que ações. Há exceções na revista, claro, e algumas histórias de humor, mas no geral ela se assemelha mais a uma coletânea de poesias que unem palavras e imagens.
Fêmea Feroz se aproxima de Nektar ao fugir das HQs convencionais. Suas histórias, também contos, trazem poucos personagens, geralmente sem nome. Sua produção gráfica é boa, e, ao contrário da revista mineira, possui histórias coloridas. Detalhe interessante: no fim das histórias, os autores apresentam o making of de sua produção. O Almanaque Terror Especial resgata um gênero que esteve muito em alta no Brasil décadas atrás, mas anda adormecido. Embora ainda possam ser encontradas nas bancas revistas como Histórias de Lobisomem e Histórias de Drácula, elas são frágeis se comparadas ao período em que despontaram artistas como Rodolfo Zalla e Flávio Colin. A novidade de Almanaque Terror Especial é o bom acabamento, sobretudo a boa impressão. Embora a capa e a primeira história sejam de autoria de Shimamoto, velho conhecido dos fãs do gênero, a revista reúne uma grande leva de jovens artistas. As histórias, em si, não apresentam muita novidade. Curtas, como é comum ao gênero, são pretextos para aparições de demônios, lobisomens, vampiros e finais infelizes para os mocinhos.


