A editora nacional Panini Comics anunciou na semana passada o lançamento do selo Max, linha de quadrinhos adultos da Marvel Comics em território nacional, a partir de setembro. A Marvel Max será mensal, em formato americano, e vai dividir suas páginas com os principais títulos lançados nos Estados Unidos. O objetivo da Panini é introduzir no Brasil uma alternativa de quadrinhos que fique entre os super-heróis e as revistas mais ''sérias''.
A iniciativa de uma linha adulta na Marvel surgiu no ano retrasado, com o objetivo de rivalizar as vendas com o selo Vertigo, da concorrente DC Comics. Desde meados de 1980 e, principalmente, na virada dos anos 90, o Vertigo vem liderando as vendas nesse filão e hoje são mais de duzentos títulos já lançados pelo selo.
Diante desse sucesso, a Marvel, que sempre liderou as vendas com personagens como Homem-Aranha, Hulk e X-Men, decidiu tentar dar as cartas em um mundo não tão ''colorido''. Para isso, lançou alguns personagens e reformulou outros, com o objetivo de introduzir esse novo conceito aos seus leitores.
O resultado foi o lançamento da série regular Alias (uma heroína falida que agora trabalha como detetive particular) e as misséries Cage (um ''herói de aluguel'', no estilo vigilante linha-dura), Viúva-negra (a já conhecida heroína que trabalhava para o serviço secreto russo) e Mestre do Kung Fu (uma espécie de Bruce Lee turbinado).
A verdade é que nem de perto as publicações de Max chegam a disputar os leitores de Vertigo, certamente porque o consistente conteúdo literário das revistas Vertigo realmente faz a diferença. E também porque as histórias de Max mais parecem feitas por um adolescente querendo se livrar de seus compromissos com a puberdade do que alguém com o objetivo de produzir o chamado material adulto.
A editora logo percebeu a desvantagem e apostou em outras jogadas para divulgar o selo. Há, por exemplo, um seriado de sucesso na tevê a cabo com a sensual atriz Jennifer Garner (Demolidor, Pegue-me se For Capaz) e as outras minisséries trazem personagens que amargavam o banco de reservas e, no entanto, sempre foram muito bem recebidos pelos leitores no passado. Até mesmo o fato do ator Nicholas Cage ter escolhido seu sobrenome artístico devido ao personagem Luke Cage, protagonista da nova minissérie da Max, deve chamar a atenção dos leitores.
Mas a maior cartada da editora está no que ela chama de ''material adulto''. Depois de derrubar o ultrapassado Código de Quadrinhos - que filtrava e censurava o material antes de ser publicado -, a Marvel decidiu pegar pesado no apelo erótico do selo Max: a maioria das publicações trazem referências a sexo, às vezes até explícito, como na revista Cage, em que o personagem tem uma cena fogosa com a voluptuosa Alias. E sexo com certeza chama atenção.
Comparações à parte, Max vem para somar a já diversificada prateleira tupiniquim de quadrinhos. Se por um lado a Marvel ainda não ''cresceu'' o bastante para publicar material adulto, pelo menos os mercado já parece maduro o suficiente para abrigar mais uma publicação.

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