'House' deixa cair máscara do sarcasmo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Inácio Araujo<BR> Folhapress 
Mais difícil do que conceber uma série de sucesso é saber quando encerrá-la. Eis o problema de ''House'' ao chegar à sétima temporada: há alguns anos, o célebre doutor já trocou a equipe, sofreu alucinações e foi parar num hospício - nada, nem os desencontros com o amigo Wilson (Robert Sean Leonard) nem os romances dos assistentes, tem rompido a impressão de relativa burocracia que domina a sucessão semanal de casos.
A nova proposta da série é radical: finalmente, o médico antissocial libera sua paixão pela antiga colega e hoje chefe dra. Cuddy (Lisa Edelstein), cujos dotes físicos louvou em tantas ocasiões.
O novo ano abre-se com os dois em plena união, ou prestes a isso. E segue em bom ritmo no dia seguinte: Cuddy, neuroticamente responsável, precisa ir ao hospital; House, indisciplinado convicto, a convence a tirar um dia de folga. Cuddy opta afinal pelo idílio, sem se dar conta de que, naquele preciso instante, a célebre instituição médica de Nova Jersey está virando uma bagunça.
Em matéria de suspense e criação de expectativas, tudo rola bem, na melhor tradição da montagem paralela. Mas algo muda no herói, fenômeno de que dá conta o ótimo Hugh Laurie: uma alma amorosa, há muito mascarada pelo sarcasmo, vem à tona.
Para o futuro fica a pergunta: e depois? Os espectadores aceitarão mudanças? E que novos encantos a série de David Shore deve atribuir ao ''novo House'' para substituir o antigo mau humor?
As respostas virão, para o bem ou para o mal, nesta temporada. E são tão mais urgentes quanto consideramos que é uma série em que o peso dos personagens, House em particular, é bem maior que o da mise-en-scène (ao contrário de ''Mad Men'', por exemplo).
SERVIÇO
- House - 7 temporada - Estreia dia 28 de outubro, às 22h, no Universal Channel


