Hotel resgata o caminho dos tropeiros
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de janeiro de 1999
Giovani Ferreira 
Cavalgadas, trilhas ecológicas, o tradicional churrasco de fogo de chão e longas histórias sobre o tropeirismo. Essas algumas das atividades oferecidas pelo Hotel Fazenda Capão Grande, em Ponta Grossa. Por ser construído no caminho das tropas, o hotel faz questão de preservar os hábitos dos tropeiros como forma de preservar a cultura e relembrar o tropeirismo, que no final do século passado foi responsável pelo desenvolvimento econômico de diversas regiões do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
Para Jorge Rosas Demiate, proprietário da fazenda, esse é um turismo rural histórico. Segundo Demiate, é essa característica cultural que diferencia a Capão Grande de outras pousadas existentes no Paraná. Além de divertimento, descanso e descontração, a fazenda oferece um passeio pelas histórias e locais por onde passaram e acamparam os antigos tropeiros, que levavam gado e mulas de Viamão (RS), para serem comercializados em Sorocaba (SP).
O fazendeiro Jorge Demiate observa a cascata: beleza naturalAs aventuras são contadas pelo próprio dono da fazenda, um fã e estudioso incondicional da história do tropeirismo. Demiate explica que parte da passagem dos tropeiros pela região dos Campos Gerais ele conheceu através de sua própria família, que está na fazenda há 150 anos. Por diversos anos a Capão Grande serviu de parada para os tropeiros.
O turista que chega na fazenda tem um contato direto com tropeirismo, retratado na decoração, maneira de se vestir dos proprietários e funcionários da pousada, nos chalés e em toda a estrutura do local, mas principalmente na comida. A Capão Grande oferece desde o famoso e indispensável chimarão, até o feijão tropeiro e o churrasco fogo de chão.
Uma das grande vantagens da fazenda, é a sua proximidade com outros pontos turísticos dos Campos Gerais. Localizada no Km 510 da BR-376, a Capão Grande faz divisa com o Parque Estadual de Vila Velha. Com isso, o roteiro turístico da fazenda inclui os arenitos de Vila Velha, a Lagoa Dourada e as Furnas. Diferente de uma pousada planejada com atrativos como piscinas, quadras poli-esportivas e sala de jogos, que na opinião de Demiate apenas descaracterizam o turismo rural, na Capão Grande o turista vive o dia-a-dia uma verdadeira fazenda. Apesar de investir no ramo turístico, a fazenda não deixou de lado as atividades de agricultura e pecuária, que hoje também funcionam como um atrativo. O manejo do gado e o trato na lavoura também ficam à disposição dos turistas.
Uma das coisas que vem impressionando os visitantes são as diversas espécies de aves e animas encontrados no lugar. A maioria das espécies em extinção catalogadas na região existem na fazenda, como o lobo guará, o bugio e a suçuarana.


