Curitiba O prédio moderno erguido no centro histórico de Curitiba deixa transparecer, através da fachada envidraçada, toda a sofisticação de um hotel cinco estrelas. Mas o diferencial da casa o visitante só vai perceber depois de algumas horas de ''conversa jogada fora'' no piano-bar ou no restaurante do Crowne Plaza Curitiba. É o sotaque pé vermelho emprestado ao hotel por um de seus sócios, D'artagnan Mussi Filho, pecuarista que divide o tempo entre o trabalho na fazenda, em Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho) e o Crowne, inaugurado há quase um ano. Mesmo hospedando artistas e turistas de vários países, nada mais agrada o empresário do que ver entrar pela porta do hotel um amigo do Norte Pioneiro. Tanto que se depender de Mussi Filho, as áreas comuns do Crowne vão virar mesmo uma confraria ''pé vermelha''. ''O que eu mais sonho é que o pessoal do interior do Paraná que vem para Curitiba usufrua isso aqui'', confidencia.
E tem muita coisa para aproveitar: spa com piscina aquecida, sala de massagem, ofurô, fitness center com aulas de Pilates, heliponto, boa gastronomia e andar hipo-alergênico. Antes mesmo de se instalar, o hóspede pode programar, no ato da reserva pela internet, a temperatura de sua suíte equipadas com camas king size, frigobar, duas linhas telefônicas, TV 29 polegadas com canais fechados, aparelho de DVD, internet banda larga, cofre eletrônico, secador de cabelo, tábua e ferro de passar roupa e boiler (jarra elétrica). A suíte master, com 98 metros quadrados, possui um closet de 12 metros quadrados e banheira de hidromassagem. É a preferida dos recém-casados que procuram o Crowne para a noite de núpcias.
A localização parece que foi feita especialmente para os turistas que adoram os passeios tradicionais da capital, como a feira de artesanato de domingo de manhã do Largo da Ordem, o Shopping Mueller, a catedral e museus. Mas a localização pode ser um problema para quem vem à capital de carro, pela primeira vez. Por isso, uma dica: para não se perder pelo centro, ligue antes para o hotel e peça orientação de como chegar.
E quando chegar, não deixe de visitar, no andar térreo, a casa tombada, do início do século XX. Totalmente restaurada, a construção é de 1914 foi projetada e construída pelo músico paranaense Augusto Stresser. A restauração da casa preservou as divisórias e aberturas internas e contou com um processo minucioso de escavações nas paredes para resgatar as cores originais, com fidelidade nos tons.
No jardim que circula a casa tombada, as mesas espalhadas convidam para a contemplação. É o lugar apropriado para encontrar os amigos. Assim como D'artagnan Mussi Filho costuma fazer quando ele e a mulher, Maria Aparecida, recebem os amigos de Andirá, Jacarezinho, Londrina, Pato Branco e relembram os tempos da primeira turma de Farmácia e Bioquímica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que se formou em 1972. Ele gosta de contar sobre os primeiros anos da universidade: ''Como era uma fundação, não tínhamos recursos. O Dalton Paranaguá, prefeito na época, dava apoio aos estudantes que vinham de fora''.
O ingresso no ramo da hotelaria começou quase por acaso. Já aposentado da bioquímica e administrando a fazenda, sobrava ''um tempinho'' para mais uma atividade. Foi quando o irmão, o ortopedista de Pato Branco Paulo Roberto Mussi, o convidou para entrar como sócio na construção do Crowne. Embora o hotel já tenha um ano, Mussi Filho só começou a se dedidar mais à administração do empreendimento há alguns meses. ''É o olho do dono que engorda o porco'', relembra o ditado, comum no Norte Pioneiro, onde o empresário cresceu.
Apesar do hotel ser cinco estrelas, Mussi Filho aposta na simplicidade interiorana para conquistar os hóspedes. ''O que a gente faz de diferente para atrair o público? Nada. Nós tratamos todos iguais, da maneira mais natural, sem maquiar nada. Apostamos no calor humano'', ensina o empresário, enquanto abraça os funcionários e passeia pelo prédio de luxo, sempre acompanhado pela mulher, Cida, atenta a todos os detalhes.

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