Hotéis em construção somam R$ 3 bilhões no País
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Stella Fontes<br>Agência Estado 
São Paulo - Depois de receber uma injeção de US$ 6 bilhões entre 1998 e 2002, o setor hoteleiro nacional segue em ritmo de expansão. Hoje, 140 empreendimentos, que juntos representam investimentos de R$ 3 bilhões, estão em construção no País e, somente a Região Nordeste, vai receber mais de 4 mil novas unidades habitacionais em resorts nos próximos três anos.
De 1998 a 2002, houve uma avalanche de investimentos emocionais no País. Agora, os aportes em empreendimentos hoteleiros são cada vez mais profissionais, analisa o presidente da consultoria BSH International, José Ernesto Marino Neto, também coordenador do 8º Seminário Internacional de Investimentos em Hotéis e Resorts, encerrado ontem em São Paulo.
Como consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Marino Neto participou de um estudo que foi apresentado pelo Ministério do Turismo durante o seminário, que aponta os destinos dos investimentos em curso no segmento hoteleiro.
A maior parte ainda se refere a empreendimentos no Nordeste, porém o interior do País, bem como os novos pólos econômicos regionais, têm chamado a atenção dos investidores. Há uma série de movimentos na indústria hoteleira, que convergem no aspecto de profissionalização do setor, diz.
O amadurecimento da indústria hoteleira, de acordo com Marino Neto, foi provocado pela superoferta de quartos nas capitais e pela descoberta, por parte dos investidores, de que aportar recursos em hotelaria não é o mesmo que investir em empreendimentos imobiliários. Hoje, não é qualquer novo empreendimento que vai sair do papel. Os investidores passaram a prestar atenção na gestão desses hotéis, enfatiza. Essa percepção, por sua vez, acabou modificando o perfil da indústria hoteleira no País e alavancou o número de companhias administradoras, responsáveis pela gestão do negócio.
Segundo Marino Neto, as cinco maiores operadoras hoteleiras que atuam no País (Accor, Sol Meliá, Atlantica Hotels, Blue Tree e Transamérica) administram cerca de 60% dos quartos disponíveis na capital paulista. Isso é discrepante da realidade do setor em todo o mundo. Com certeza, novas administradoras devem entrar no mercado nacional, prevê. A novidade é que, ao contrário do que se imaginava há alguns anos, a tendência é de que empresas nacionais passem a administrar operações aqui instaladas. Havia um mito de que só a hotelaria internacional sabe administrar e esse mito já foi por terra, afirma.
A tendência, segue o consultor, é de que esse movimento de novas administradoras seja mais fortemente sentido nos segmentos econômicos (duas e três estrelas), em decorrência do crescimento da oferta dessa categoria de empreendimentos nos últimos anos. Outra novidade, nessa seara, deve ser a entrada dos norte-americanos na administração de unidades brasileiras. Algumas companhias grandes já sinalizaram a intenção de vir para o Brasil e esse é o momento, acredita Marino Neto.
O novo perfil do setor hoteleiro e os rumos do turismo no País foram o tema central dos debates da oitava edição do seminário promovido pela BSH International e pela Fundação CTI-NE. Quinto maior seminário de investimentos hoteleiros do mundo, o encontro reuniu mais de 50 conferencistas de oito países e representantes das principais cadeias hoteleiras. Ao todo, o seminário contou com 13 painéis, nos quais foram debatidos os investimentos estrangeiros na hotelaria nacional, com destaque para os portugueses, fontes de financiamento, hotelaria independente, entre outros temas.


