Pólos de ecoturismo como Ilha Grande, no Estado do Rio, e o Parque do Tabuleiro, na mineira Conceição do Mato Dentro, terão novos meios de hospedagem nos próximos meses. Cada local ganhará um dos pelo menos cinco novos hostels (como albergues são chamados desde 2003) que devem abrir até agosto, de acordo com o diretor administrativo de Qualidade da HI Hostel no País, Ramis Bedran. Segundo a associação, 29 unidades foram inauguradas no Brasil desde 2000 e a procura de viajantes aumentou, principalmente desde 2002 - de 42.113 associados em dezembro daquele ano para os 64.179 em janeiro deste ano.
''Agora, é a hora e a vez dos hostels'', garante Bedran. Para o diretor, o brasileiro, que tradicionalmente tem uma cultura de viagem de pacote e hotel, tem mudado de atitude e descoberto as vantagens de meios de hospedagem econômicos, como os albergues. Isso, claro, não sem um empurrãozinho por parte dos próprios estabelecimentos.
O truque para atrair novos clientes, usado por boa parte dos hostels modernos, é justamente tentar parecer-se cada vez mais com hotéis e pousadas. Longe da imagem estereotipada de um alojamento só para jovens aventureiros, com beliches amontoados , eles oferecem todos os tipos de mordomias, inclusive quartos para casais e famílias, banheiros privativos, piscina e até frigobar. As 86 unidades de HI Hostel no Brasil têm ponto de acesso à internet.
O Che Lagarto de Ilha Grande, por exemplo, terá quartos com vista para o mar, bar-restaurante à beira d'água e operadora náutica para passeios. Abrirá em três meses, segundo o fundador e proprietário da marca Che Lagarto, o argentino Fernando Giles. A Che Lagarto começou em Buenos Aires, há cerca de dez anos, e hoje tem cinco unidades - além da argentina, uma em Santiago e três no Rio. Em junho, inaugurará outra, em Paraty (RJ), cujo credenciamento à HI Hostel foi pedido.
Outro grande incentivo para a popularização dos hostels foi a mudança mundial do nome em 2003. No Brasil, a marca deixou de ser Albergues da Juventude e virou HI Hostel. ''Albergue tem um tom pejorativo e 'da juventude' faz muitos se sentirem excluídos'', explica Bedran.
Era justamente o termo ''albergue'' que fazia o advogado de Salvador José Carlos Macedo Filho, de 28 anos, ter calafrios quando falavam no meio de hospedagem. ''Pensava num lugar onde todos ficam um em cima do outro, com um monte de gente que não toma banho'', diz. Há três anos, no entanto, após pesquisar sobre hostels num guia e na internet, resolveu hospedar-se em um e teve uma surpresa. ''Era tudo limpinho e tinha até internet. Conheci pessoas de outros Estados e até outros países'', conta. Hoje, garante: ''Só fico em hostel. Gasto metade ou até menos do que em pousada''.
A programadora cultural curitibana Maristela Garcia, de 40 anos, também tornou-se viciada em hostels desde a sua primeira experiência, há cinco anos. Há poucos dias, aproveitava as amizades internacionais que fez no hostel de Arraial d'Ajuda, na Bahia, ao redor da piscina. ''Sou a única brasileira - é ótimo! Aqui tem pessoas da Suíça, Itália, Dinamarca, México e Espanha.'' O que Maristela mais gosta é de conhecer pessoas de outros lugares. ''Nos hotéis e pousadas, você não tem convívio com outros hóspedes.''
Ficar num hostel, porém, pode não ser vantagem só para quem viaja sozinho e quer fazer amizades. Quando a família é grande, como a da administradora de empresas de Curitiba Cláudia Salvatti, de 36 anos, escolher um albergue pode aliviar o peso da viagem no bolso. ''Nos quartos de família dos hostels, consigo ter a mesma privacidade dos hotéis, só que por um preço acessível. Agora, só viajo para albergue'', diz. Cláudia já ficou com o marido e os três filhos nos hostels de Morretes (PR) e Arraial do Cabo (RJ). Em julho, planeja passar alguns dias no da Ilha do Mel (PR). E o que as crianças acham? ''Eu adoro!'', diz Tanit Salvatti, de 12 anos.
Em pontos badalados, como o bairro de Ipanema, no Rio, ou Itacaré, na Bahia, ou cidades famosas por receberem feiras e congressos, como São Paulo e Curitiba, os hostels que abriram no País desde 2003 são moderninhos e cheios de atrativos.
O Arraial d'Ajuda Hostel tem televisão e frigobar nos quartos para casais e famílias, além de piscina com hidromassagem. No Itacaré Hostel, todos os quartos têm televisão e banheiro. Dez suítes contam também com frigobar. Já o Che Lagarto Ipanema conta com um bar que é ponto de encontro não apenas para os hóspedes, mas para cariocas.
No São Paulo Hostel, há uma programação diária. Segunda-feira tem aula de percussão; terça-feira, de ioga; e os domingos são reservados para piqueniques no Parque do Ibirapuera. A sala de convivência do Curitiba Eco Hostel conta com TV a cabo, DVD e karaokê. Segundo o sócio-proprietário do albergue, Rodrigo Martello, em julho, a piscina do hotel deve passar a ser aquecida.

SERVIÇO:
Hi Hostel: www.hostel.org.br. Em São Paulo, informações sobre a associação pelo tel.: (11) 3258-0388. A unidade da carteirinha sai por R$ 35.
Arraial d'Ajuda Hostel: (73) 3575-1192; www.arraialdajudahostel.com.br. Diária: R$ 20 (alberguista) ou R$ 26.
Che Lagarto Ipanema: (21) 2512-8076; www.chelagarto.com. Diária: R$ 40 (alberguista) ou R$ 45.
Curitiba Eco Hostel: (41) 3029-1693; www.curitibaecohostel.com.br. Diária: R$ 20 (alberguista) ou R$ 25.
Itacaré Hostel: (73) 9141-4372; www.itacarehostel.com.br. Diária: R$ 27 (alberguista) e R$ 35.
São Paulo Hostel: (11) 3333-0844; www.hostel.com.br. Diária: R$ 23 (alberguista) e R$ 27.

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