São Paulo O helicóptero pousa no alto do prédio de um hotel. Antes que o recém-chegado coloque os pés no chão, seguranças já bloquearam um elevador e o andar onde ele vai se hospedar. Um responsável pelo check-in está na porta do quarto só para dar as boas-vindas.
Tudo tem de ser pensado e minuciosamente planejado. Rotas de fuga, caminhos alternativos no caso de uma greve pelas redondezas, o hospital escolhido para uma emergência e até rastreamento antibombas no quarto fazem parte das estratégias dos hotéis para receber autoridades e celebridades.
''Quando recebemos Colin Powell (ex-secretário de Estado dos Estados Unidos), começamos a nos organizar com três meses de antecedência'', conta o gerente-residente do Hotel Hilton São Paulo Morumbi, Luís Perillo. ''Tivemos de revisar 400 páginas dos detalhes da hospedagem com o assistente particular'', explica.
E tem mais. Os quartos vizinhos ou até o andar inteiro são reservados para a comitiva. Anexa à suíte presidencial fica a acomodação do guarda-costas. Há casos em que uma sala de controle de segurança, com direito a central de rádio e linha direta com o país de origem, é montada ali. ''Um hóspede famoso pode entrar e sair sem jamais ser visto'', explica a gerente de Marketing do Grand Hyatt São Paulo, Karina Faber.
Nem é preciso dizer que a segurança é sempre reforçada. Isso quando o hóspede não sai acompanhado por batedores da polícia. Mas nenhum desses trâmites muda a rotina de trabalho, já que tudo é organizado antecipadamente. Para garantir, chefes de alguns departamentos ficam de plantão. ''Temos de ter certeza que tudo saiu conforme o combinado'', justifica Karina. Nada demais para um lugar que recebeu o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, a banda U2 (que, segundo especulações, se hospedará novamente no Hyatt nas próximas apresentações em São Paulo, dias 20 e 21 de fevereiro), Simply Red, Alanis Morissette, Ricky Martin e Pretenders.
Entre exageros e excentricidades, há pessoas que surpreendem pela simplicidade, caso da rainha Silvia, da Suécia, que se hospedou no InterContinental São Paulo. ''Ela quis sair sozinha para tomar um sorvete'', lembra a diretora de Vendas e Marketing, Vânia Lodi. Foi lá que o presidente Lula estava hospedado quando venceu a eleição. Da garagem, ele usou uma entrada que dá acesso direto aos elevadores de serviço. ''Temos um elevador de serviço que não leva carga. O Lula usou este em 2002'', conta Vânia.
Há artistas que cada dia saem por uma porta, com um carro e um assistente diferentes. Outros inventam um pseudônimo para não serem localizados. Tudo para burlar o assédio. Geralmente, eles usam os elevadores de serviço, mas não é só essa a tática. ''Eles entram pela cozinha. Adoram!'', conta o gerente-geral do JW Marriott Hotel Rio de Janeiro, Jorge Benrio. ''Para garantir que nenhum fã suba pela escada de incêndio, há câmeras para vigiá-las.''
Por outro lado, há celebridades que fazem questão de circular livremente pelo hotel, distribuir autógrafos e até posar para fotos.
Ao receber famosos, a grande preocupação é aumentar a segurança por causa dos fãs, mesmo que sejam poucos. ''Tem fã que se hospeda no hotel só para poder cruzar com o ídolo'', conta Renata Darriba, gerente de Recepção do Sheraton Rio Hotel & Towers, por onde já passaram Pearl Jam, Iggy Pop, Deep Purple e Avril Lavigne.
Há três anos, o grupo Backstreet Boys se hospedou no Sheraton Rio. Na ocasião, eles tiveram de fechar o acesso ao pátio para controlar a histeria das adolescentes. ''Elas dormiram na frente do hotel'', diz Renata. Para ela, estrelas como Eric Clapton, Brian Ferry, Ramones, Sophia Loren e Penélope Cruz deram menos trabalho do que os ídolos dos adolescentes.
Há casos em que nem é preciso se preocupar com a segurança, mas com a privacidade da estrela. Mike Tyson é um deles. ''Acho que ele faz a própria segurança'', brinca o gerente de Eventos do Crowne Plaza, Flávio Ruivo. Para não ser incomodado, o boxeador pediu todas as refeições no quarto. Mesmo assim, o hotel resolveu dobrar o número de guarda-costas.
A bilionária Athina Onassis levou seus próprios seguranças quando se hospedou no Unique, em São Paulo. É neste mesmo hotel que, segundo a gerente de Vendas, Cláudia Biasseto, há um serviço de rastreamento no quarto para detectar escutas e bombas. Artimanhas para proteger os famosos não faltam!

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