Que misteriosos critérios levam o exibidor a abrir mão de uma obra sólida e madura, um filme de peso e um potencial candidato a Oscar como ''Sobre Meninos e Lobos'' para programar uma tralha como este ''Olhos Famintos 2'' que está em cartaz nos cinemas do país. Sustentado por um hit de 2001 até modesto para os padrões que justificam sequelas, este ''Jeepers Creepers 2'' tenta refazer a trilha mais ou menos gótica do filme anterior, colocando vítimas e algoz praticamente no mesmo cenário - o meio de lugar nenhum, ou o ermo das botas do Judas.
Aqui e agora, a coisa, este tal de Creeper, o rastejador, se empenha em devorar os cerca de vinte estudantes que integram um time de basquete. Como o gênero ordena, o ônibus escolar quebra nas imediações daquele local incerto e não sabido. E tome refeição, temperada por uma tradição revelada no ônibus por uma personagem: em todo vigésimo-terceiro dia de cada primavera, a criatura come, come e come até se empanturrar. E come o quê? Ou melhor, quem?
O filme de Victor Salva - diretor de resto não inteiramente destituído de feeling para o gênero, embora sua ''criação'' esteja mais para comédia exasperante do que para terror genuíno - situa a ação apenas alguns dias após o ocorrido em 2001. O ser ignóbil é um terço demônio espacial básico, outro terço uma espécie de baixista de banda heavy metal e o terço final algo assim como, vejamos, um bicho papão travestido de espantalho. Estamos no meio rural, não se esqueçam. E com direito a fazendeiro vingador.
Nenhuma lógica, nem mesmo distante, por trás desse monstro assassino. O filme bem que tenta ser maneirista em relação a mito e lendas, mas tudo fica na promessa. O que realmente é incrível, fantástico, extraordinário e inexplicável é a prestigiosa assinatura de Francis Ford Coppola avalizando este produto.(C.E.L.J.)

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