Hora de colheita
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domingo, 22 de novembro de 2015
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Os olhos vibrantes e a risada sincera entregam Juliana Paes. E a julgar pela felicidade que exala da atriz, a decidida Carolina, de "Totalmente Demais", é a personagem ideal para comemorar seus 15 anos de televisão. "Essa data é muito especial e chega em um momento onde estou mais madura e segura como atriz. Fiz um pouco de tudo nesse tempo e é bacana olhar para trás e ver que pude evoluir. A televisão, às vezes, engole as pessoas. Eu comemoro 15 anos de forma muito racional e querendo sempre ir além", destaca.
O papel na atual novela das sete é a estreia de Juliana no posto de antagonista. Sem querer se limitar a vilanias e crueldades, a atriz defende Carolina como uma mulher contemporânea, repleta de anseios e frustrações. "Ela vai atrapalhar a vida da mocinha, mas não dando gargalhadas e olhares exagerados. Carolina é a mulher comum, ela não acredita mais em príncipe encantado e corre atrás do que passou despercebido, que é a formação da família e a maternidade. Eu a entendo muito bem", resume.
Fluminense da pequena Rio Bonito, aos 36 anos, Juliana mostra no discurso e nas atitudes que está exatamente onde sempre imaginou. O início, como figurante em pequenas produções globais, não foi nada fácil, mas sua personalidade persistente foi mais forte. A primeira oportunidade de se destacar na tevê aconteceu por acaso. Em "Laços de Família", de 2000, viu sua personagem, a brejeira empregada Ritinha, cair nas graças do autor Manoel Carlos e crescer um pouco a cada capítulo. Depois disso, seguiu por uma linha da personagens cômicas e sensuais em tramas como "Celebridade", "América" e "Pé na Jaca". Até que, em 2009, foi escalada para sua primeira protagonista em "Caminho das Índias" e passou a integrar o primeiro time do "casting" da Globo. "Acho que soube aproveitar o que me foi oferecido e, além disso, mostrar que eu estava disposta a trabalhar e aprender. Nunca é fácil, mas esse é o grande barato de fazer televisão", analisa.
Nos últimos anos você se envolveu com tramas de época como "Gabriela" e "Meu Pedacinho de Chão" e a minissérie inédita "Dois Irmãos". Estava sentindo falta de trabalhos mais contemporâneos como "Totalmente Demais"?
Eu nem tinha me dado conta, mas queria voltar a atuar em cima do que as mulheres vivem hoje. Quando surgiu o convite, eu poderia tranquilamente dizer "não". Afinal, venho de dois trabalhos com um longo processo de preparação e gravação. Mas o carinho dos autores e do Luiz Henrique (Rios, diretor) me fizeram aceitar prontamente. Apesar da força e de ser a principal antagonista da história, Carolina é aquela típica personagem que ainda não se encontrou. Gosto desses tipos.
Por quê?
Pelo fato de já ter tido em muitos momentos da minha vida essa sensação de que os sonhos, infelizmente, podem não se realizar. Mas continuar tentando de tudo para que as coisas aconteçam. Minha personagem focou tanto no trabalho que se esqueceu de se apaixonar, casar, ter filhos. Ela tem essas angústias, muito comuns na vida da mulher de hoje, e segue correndo atrás desses objetivos. Por conta dessas fraquezas, não a vejo como uma vilã tradicional. Ela não sai por aí dando risada das mazelas alheias.
Em "Laços de Família", de 2000, você deu vida a uma mulher mais nova que acaba grávida do namorado da patroa. Como é interpretar o outro lado da moeda?
É um ponto de vista interessante. Pois mostra para mim que, eu não apenas estou mais velha, mas também soube me desenvolver dentro do que eu gostaria. E tudo isso só aconteceu por conta da Ritinha, uma personagem pequena e que foi crescendo ao longo dos capítulos. Foi meu primeiro papel com nome, antes eu só tinha feito figuração. Hoje, quando contraceno com atores jovens e estreantes, sempre tenho em mente a generosidade de nomes como a Marieta Severo e o Alexandre Borges, que me ajudaram e tiveram muita paciência na época (risos).
Envelhecer na televisão é algo que a preocupa?
Acho que já foi um assunto mais importante para mim. Chega uma hora em que você descobre que pode fazer personagens que não precisem que seu corpo esteja totalmente em forma. Eu me sinto bem comigo hoje. Conquistei muito mais do que eu jamais pensei. E não estou falando de dinheiro, mas de realização profissional. Depois de "Caminho das Índias", notei que as pessoas começaram a olhar para o meu trabalho de outra forma, acreditando em mim.
Depois de trabalhos mais conceituais (a novela "Meu Pedacinho de Chão" e a minissérie "Dois Irmãos", ainda sem data para estrear), você volta diferente para a tevê?
Totalmente. Além de me sentir mais madura, acho que o que mais aprendi nos últimos anos é que é possível trabalhar de várias formas na televisão. Tem espaço para coisas comerciais e para outras mais artísticas. Os intérpretes e o público ganham com isso. A gente consegue se reciclar e experimentar em cena. Já o telespectador tem acesso a coisas além do convencional. Descobrir essa multiplicidade dentro do vídeo foi incrível.


