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domingo, 20 de março de 2016
Anna Bittencourt<br> TV Press 
Aos 32 anos, Rômulo Estrela tem calma e tranquilidade ao falar da sua carreira. Com foco, mas sem traçar planos rígidos, ele conduz sua trajetória ascendente nas novelas da Globo. Após a boa repercussão de seu personagem em "Além do Tempo", foi convidado para interpretar o errante Gaspar em "Liberdade, Liberdade", novela das 23 horas que estreia em abril. "Quando me chamaram, foi uma correria porque ainda estava gravando", relembra. Com o fim do folhetim das seis, o ator se jogou na preparação da novela escrita por Mário Teixeira, baseada no argumento de Márcia Prattes. "Quando o personagem é bom e você confia no texto e na equipe, é assim. Não dá para dizer 'não'. Mesmo que fique cansativo ou corrido", diz, com bom humor.
Na história, que se passa no século 19, Gaspar é um "bandoleiro de beira de estrada", como define Rômulo. "É um cara dúbio, arruaceiro, que gosta de jogos de azar e de ganhar a vida de uma forma fácil", sintetiza. A preparação para viver o personagem começou no início do ano e se estende até hoje. Com o cabelo curto para a segunda fase de "Além do Tempo", ele teve de colocar um aplique e deixar a barba crescer. "Entendi que esse cara não liga muito para a aparência e, digamos, não é muito asseado", ri. Além da parte física, o ator também participou de diversos "workshops". "Fiz esgrima para 'Além do Tempo' e continuei fazendo depois porque é outra pegada, com luta de rua. E também continuei me familiarizando com cavalos e cavalgadas", antecipa. A prosódia foi um dos momentos mais importantes da preparação. Ambientada em Vila Rica, então situada na capitania de Minas Gerais, "Liberdade, Liberdade" tem um sotaque específico. "É uma fala muito diferente de tudo que eu já fiz", conta.
Sem contrato fixo com a Globo, Rômulo se define como um profissional atento ao mercado. Talvez por isso que, ao longo de sua carreira, tenha participado de projetos na emissora e fora dela. "Não sou de ficar esperando as coisas acontecerem. Fico de olho para ver onde as coisas aparecem, sem me importar em qual emissora", conta ele, que na Record esteve em trabalhos como "Rei Davi", "Balacobaco" e na trilogia "Os Mutantes". A falta de um contrato fixo, no entanto, não é uma preocupação. "Claro que dá uma estabilidade. Mas tenho outras preocupações como prioridade, como, por exemplo, desempenhar um bom trabalho, independentemente do tamanho do personagem", jura.
Foi essa tranquilidade e confiança nos próximos passos que o tirou de São Luís, no Maranhão. Em 2002, já matriculado para cursar a faculdade de Fisioterapia em sua cidade natal, Rômulo fez um desfile de moda e se jogou na publicidade enquanto esperava as aulas começarem. Acabou se apaixonando pela profissão e deixou a carreira que havia planejado para trás. "Senti necessidade de estudar porque tinha algumas falas na publicidade. E foi assim que eu descobri o que me movia, o que eu queria fazer de verdade", lembra. Com o apoio dos pais e coragem de sobra, o ator se mudou para o Rio de Janeiro. "Fiz alguns testes e fui sendo chamado para pequenas participações, elenco de apoio, até ganhar um personagem mesmo", conta ele, que estreou na teledramaturgia como o Minotauro, de "Da Cor do Pecado", exibida pela Globo em 2004.


