Há cinco anos, o primeiro ''Homens de Preto'' surpreendentemente arrombava as bilheterias americanas, produzindo um tonelada de dinheiro e ficando à frente de concorrentes aparentemente imbatíveis como ''Batman e Robin'' e ''Jurassic Park: o Mundo Perdido''. Agora, sem antagonistas de peso, ''Homens de Preto II'' (veja a programação de cinema na página 2) passeou tranquilo na parada-feriadão de 4 de julho nos Estados Unidos, arrematando U$ 90 milhões somente nos primeiros quatro dias de exibição.
Ao final da primeira parte, o agente Kay (Tommy Lee Jones) voluntariamente se submetia a uma espécie de apagão, num processo que deletava de sua mente qualquer vestígio de alienígenas em nosso meio ou da agência secreta governamental (MIB) dedicada a controlar na Terra visitantes de outros confins do universo. Aquele filme, um excêntrico pastiche da ficção científica, produzia um efeito similar. Era uma espécie de produto efervescente cujas bolhas desapareciam no redemoinho da cultura pop. Neste sentido, era de fato muito engraçado e muito inventivo, original e recheado de toques terroríficos e humorísticos. Esta sequela é tão espumante quanto a anterior, mas menos refrescante. Ainda assim, como prevalece o espírito de base, há alguma dosagem de dinâmica e diversão para justificar a compra do ingresso.
Os famosos homens de preto estão de volta. Ainda que com alguma demora (o encontro entre ambos somente ocorre decorrido quase um terço do filme), Jay e Kay - no Brasil seriam dupla sertaneja - voltam a unir forças e destrezas para vigiar e manter sob controle as atividades dos numerosos, heterogêneos e extravagantes alienígenas que, sempre impecáveis na arte da camuflagem, circulam em qualquer esquina do planeta. E junto com a dupla de heróis da festejada primeira aventura estão quase todos os demais, diante ou por trás das câmeras. Desde Rip Torn (o superchefe da supersecreta agência MIB) até Tony Shalhoub (o irascível e dentuço Jeeb), desta vez tendo que se virar para devolver a memória a Kay quando a agência necessita novamente de seus serviços, e passando pelo impagável cão Frank, agora com mais texto e com mais tempo em cena. De novo o diretor Barry Sonnenfeld e o mestre inventor de criaturas, o desenhista Rick Baker, na verdade o dono do show e agora bem mais atarefado porque os efeitos acabaram tendo supremacia sobre a história - se já era exígua há cinco anos, agora é um mísero fiapo. É de se lamentar, portanto, a ausência do roteirista original, Ed Solomon. Ao elenco foram acrescentadas duas mulheres. Uma é a vilã, a malvada Serleena (na forma sedutora de Lara Flynn Boyle, com vários apêndices de réptil, incluindo uma longa e melíflua lingua verde). A outra é uma vendedora de pizzas, a doce morena Rita (Rosario Dawson), que compromete todo o senso de prudência de um apaixonado Jay (Will Smith).
É certo que as sequelas sempre caminham com a desvantagem de trabalhar em cima de material conhecido. Naturalmente, o fator surpresa fica debilitado. Não basta multiplicar a quantidade de efeitos ou se apoiar na boa química e no espírito de farra exibidos pela dupla Smith & Jones. Faz falta aqui sopro maior de imaginação e brio, elementos que poderiam afugentar qualquer sintoma de estancamento ou de cômoda rotina. Melhores momentos: na janela do carro, o cão Frank canta ''I Will Survive'' com outra letra; e uma pequena civilização de aliens, os Worm Guys, aprontando ótimas na Estação Central de Manhattan.
Se encarado como um cartoon que ganhou vida, ''Homens de Preto II'' é assistível, principalmente por sua brevidade. Para quem procura mais do mesmo, sinal verde. Verde até demais, para quem já espera por ''Men in Black III''.

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