Os espectadores que viram e ouviram Callas fazem parte de uma platéia cada vez menos numerosa, mas a diva grega morta há 20 anos continua tendo uma legião de admiradores.
De acordo com a EMI Classics, mesmo duas décadas depois de sua morte e 32 anos depois de seu afastamento dos palcos, a cantora mais excepcional da segunda metade do século XX ainda vende 750 mil cópias ao ano.
A EMI Classics, única empresa fonográfica com a qual Callas aceitou trabalhar, lançou uma ampla reedição de seus discos em comemoração ao vigésimo aniversário da morte da diva grega. A edição completa reúne 32 integrais de óperas, 11 recitais em estúdio, dois álbuns de gravações raras e um CD duplo de concertos de câmara.
Maria Kalageropoulos, que nasceu em Nova York num modesto lar de imigrantes gregos para se transformar numa fabulosa ‘‘prima donna’’, sofreu uma transformação física surpreendente e teve um destino único. Adulada por todos, conheceu muitas honras, mas terminou de forma solitária e valente, após ter sido abandonada por seu compatriota, o multimilionário Aristóteles Onassis, que se casou com Jackie Kennedy.
No 20ºaniversário de sua morte, as homenagens se multiplicam em vários países da Europa. No último dia 11, cantores, músicos, dançarinos e atores prestaram homenagem à Maria Callas. As celebrações, organizadas pela prefeitura de Paris, contaram com a participação das atrizes Irene Papas, Ludmila Mikael e Redjep Mitrvitsa, a dançarina Carolyn Carlson e as cantoras Cecilia Gasdia, Sylvia Sass e Beatriz Uria Monzon.
A Itália, por sua vez, começou no início do mês a festejar os 50 anos da estréia de Callas com uma série de iniciativas. Em Florença, uma amostra itinerante dedicada à cantora é exibida no Teatro Comunal, enquanto o Píccolo Teatro Comunal lembra com um livro a soprano, que estreou em 1947 na Itália, no Scala de Milão, tornando-se em incomparável intérprete de óperas italianas como ‘‘Norma’’, ‘‘La Traviata’’ e ‘‘Tosca’’.
A Grécia, por sua vez, prepara especialmente dois eventos para hoje: um majestoso réquiem de Verdi, que se realizará no teatro antigo Herodo Atico, aos pés da Acrópole, e uma emocionante homenagem no cabo Sunion, na península de Ática, onde há 20 anos as cinzas de Maria Callas foram lançadas no Mar Egeu.
Para quem deseja maiores detalhes sobre esta diva da ópera, ‘‘Maria Callas: A mulher por trás do mito’’ (Editora Companhia das Letras) é uma biografia feminista da soprano, escrita por Arianna Stassinopoulos Hutchinson, uma de suas 20 biógrafas.

mockup