ReproduçãoSmiths: homenageado por bandas grindcoreÉ sempre assim. Cada época musical estabelece seus tradutores, que depois de algum tempo esgotam suas fórmulas dando lugar a uma nova geração de artistas. No mundo pop, esse rodízio é implacável gerando cultos instantâneos - alguns fugazes, outros com um carisma capaz de perpetuar sua reputação por décadas.
Nos anos 80, coube à cidade de Manchester revelar alguns dos principais expoentes da então explosiva cena pop britânica. Da safra, o grupo Smiths se destacou através de uma parceria memorável: o vocalista Stephen Morissey e o guitarrista Johnny Marr.
Morrissey trouxe a poesia de volta ao rock compondo painéis confessionais de raro lirismo dentro do gênero. Marr parecia decifrar em acordes cristalinos toda a história das seis cordas eletrificadas. Hoje, quando o critério de ‘‘qualidade’’ sobrepõe o ‘‘barulho’’ aos preciosismos melódicos, os Smiths são lembrados em duas curiosas iniciativas fonográficas.
ReproduçãoBis: participação da novíssima safra inglesa
Emergentes Curiosas, porque enquanto um dos discos reúne versões hardcore e grindcore de suas músicas, o outro junta vários artistas para interpretar apenas o repertório contido em um dos álbuns de sua carreira. Dá para imaginar a cara de Morrissey ao se deparar com seu singelo hit ‘‘Heaven Knows I’m Miserable Now’’, transformado num punk acelerado pela banda H2O?
Ou ainda o Anal Cunt estourando as caixas com uma cover de ‘‘You’ve Gonna Need Someone on Your Side’’? Pois essas são algumas das homenagens incluídas no álbum A Tribute To The Smiths(Too Damn Hype/imp), que traz ainda outros nomes não menos esporrentos como Subzero e Walleye subvertendo cândidas melodias.
ReproduçãoBrian Molko: vocalista e guitarrista do Placebo
Já The Smiths is Dead (Epic) presta as honras ao álbum The Queen is Dead (lançado em 1986) reunindo figurinhas carimbadas e emergentes da atual safra pop inglesa como Supergrass, The Divine Comedy, Placebo, Bis, Boo Radleys, The High Lamas, Trash Can Sinatras e The Frank & Walters.
Revival O militante Billy Brag dá sua contribuição com uma versão da música ‘‘Never Had No One Ever’’. Já os irlandeses do Therapy? comparecem injetando peso em ‘‘Vicar In A Tutu’’. O disco foi organizado pela revista francesa ‘‘Les Inrockuptibles’’. Ao lado do inusitado tributo ‘‘core’’, parece anunciar um revival dos Smiths, apenas dez anos depois de seu estouro mundial.

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