A jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau nеm do pirata da perna de pau é o enredo da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro em 2026, que traz uma grande homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães.

Grande vencedora de carnavais no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, inaugurado em 1984, Rosa levou seis títulos. Foram cinco na Imperatriz Leopoldinense e um na Vila Isabel, marcando a história dos desfiles com muita criatividade, inovações e brasilidade.

“A Rosa é professora e nos ensinou a amar o Brasil e a brasilidade por meio dos seus carnavais. A cada ano, ela descortinou o mundo da identidade brasileira na passarela com seus trabalhos. É um carnaval de agradecimento ao universo imaginativo com que a Rosa nos presenteou”, afirma o carnavalesco do Salgueiro, Jorge Silveira

Em 50 anos de carreira, ela passou por 12 agremiações do Rio de Janeiro, entre elas Portela, Tradição, Mangueira, União da Ilha, São Clemente e Tuiuti. “Sem dúvida é a artista que ficou mais tempo no processo de produção de carnaval. Rosa Magalhães é a única artista que venceu nas cinco décadas em que foi carnavalesca, portanto, sempre foi uma artista inovadora e relevante, de uma produção absolutamente incrível”, apontou.

A vontade de homenagear a carnavalesca cresceu, especialmente, porque Rosa começou a sua carreira artística no Salgueiro, disse o carnavalesco, que classificou a professora como "fruta e filha da revolução salgueirense dos anos 60", um movimento estético em que o Salgueiro transformou o carnaval carioca.

A carnavalesca Rosa Magalhães no barracão da Portela em 2018
A carnavalesca Rosa Magalhães no barracão da Portela em 2018 | Foto: Cristina Índio do Brasil/ Agência Brasil

GRANDE ENCERRAMENTO

A decisão de homenageá-la, segundo o carnavalesco, ganhou um reforço no sorteio da ordem de desfiles das escolas. O Salgueiro vai ser a última agremiação a se apresentar e terá a oportunidade de dar um grande encerramento ao carnaval de 2026, o que será usado para reforçar a homenagem. Em 40 anos de Sambódromo, a escola nunca tinha sido a última.

Uma das características do trabalho da carnavalesca era ter um livro como ponto de partida para desenvolver os seus enredos. Jorge recordou que ela sempre começava os seus carnavais por meio da pesquisa.

Para desenvolver o enredo, a escola foi beber na fonte da própria homenageada, que deixou um vasto acervo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde estão catálogados todos os seus desenhos.

Todo o material foi coletado, escaneado e disponibilizado na internet pelo banco de dados da UERJ, o que permite a qualquer pessoa acessar as mais de 4 mil imagens que Rosa separou nesses 50 anos de carnaval.

Fantasia da Ala das Baianas do Salgueiro para o Carnaval de 2026
Fantasia da Ala das Baianas do Salgueiro para o Carnaval de 2026 | Foto: Ygor Gusmão/GRES Acadêmicos do Salgueiro/ Divulgação

PESQUISA

Este ano, a comissão vai se apresentar com 19 componentes, sendo 15 aparentes. Com isso, se pode imaginar que vai haver trocas de bailarinos dentro de alguma alegoria que não serão vistas pelo público.

Todo o material foi coletado, escaneado e disponibilizado na internet pelo banco de dados da Uerj, o que permite a qualquer pessoa acessar as mais de 4 mil imagens que Rosa separou nesses 50 anos de carnaval.

Ao agrupar as ideias de conteúdo a equipe de pesquisa percebeu que existiam imagens que se repetiam em alguns enredos. Isso possibilitou agrupar os temas.

A pesquisa indicou, no entanto, que os materiais dos anos 1990 e 1991 não estavam incluídos nos arquivos da Uerj. E esses dois carnavais foram justamente os assinados por Rosa no Salgueiro. A solução para essa ausência veio durante uma festa de celebração do enredo e em memória de Rosa.

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"Fico arrepiado só de lembrar", contou emocionado. “No dia exato da homenagem para ela, trouxeram para nós as pastas de 90 e 91 de presente. Eram os desenhos que faltavam para completar o meu álbum de figurinhas de memórias. Eu não posso acreditar que esses desenhos não foram mandados pela própria Rosa”.

SERVIÇO

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

Segunda-feira (16)

Mocidade Independente de Padre Miguel - Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;

Beija‑Flor de Nilópolis - Bembé do Mercado;

Unidos do Viradouro - Pra Cima, Ciça;

Unidos da Tijuca - Carolina Maria de Jesus.

Terça-feira (17)

Paraíso do Tuiuti - Lonã Ifá Lukumi;

Unidos de Vila Isabel - Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;

Acadêmicos do Grande Rio - A Nação do Mangue;

Acadêmicos do Salgueiro - A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

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