São Paulo Ele foi o nosso Cary Grant. Wilson Cunha, diretor-geral do ''Canal Brasil'', define o ator que morreu na semana passada e explica a homenagem do canal brasileiro da Net/Sky ao galã das chanchadas da Atlântida.
Cyll Farney será lembrado hoje com uma maratona que começa às 8h30, com um ''Retratos Brasileiros'' a ele dedicado. A partir das 9h30, serão exibidos cinco filmes. O primeiro é ''Amei Um Bicheiro'', de Jorge Ileli e Paulo Vanderley. Seguem-se, pela ordem, dois filmes de Carlos Manga ''Dois Ladrões'', às 11 horas, e ''Pintando o Sete'', às 12h30 , outro de Victor Lima, ''Tem Folga na Direção'', às 14 horas, e, encerrando a programação, mais um filme de Manga, ''O Homem do Sputnik'', às 15h30.
''Entre o que gostaríamos de apresentar e o que temos em nosso arquivo vai uma diferença, mas acredito que fizemos uma boa seleção'', diz Cunha. São filmes que ilustram bem o significado da passagem de Cyll Farney pelo cinema brasileiro.
Irmão do cantor Dick Farney, Cyll (de Cylleno) representava, segundo Cunha, um Brasil ingênuo que não tinha muita consciência de sua imagem. ''O País vivia de olho no estrangeiro, tentando imitar modelos de fora; Cyll Farney foi o que de mais próximo conseguimos chegar da elegância e sofisticação de Cary Grant, o grande mito de Hollywood.''
Mais tarde, com o advento do Cinema Novo, o Brasil começou a olhar mais para a sua realidade. Os diretores começaram a fazer filmes para botar a cara do País na tela. Nesse novo cinema nacional, não havia mais espaço para a chanchada e elas foram escasseando, também por pressão de um novo meio que surgia, a TV.
A chanchada tinha o pé no rádio. Alguns críticos gostam de dizer que era a Rádio Nacional com imagem, com tramas na maioria das vezes muito tênues, que serviam para alinhavar os números com os lançamentos dos cantores e cantoras do rádio. Com a chanchada, Cyll Farney saiu de cena. Ainda produziu alguns filmes, depois que parou de atuar. Terminou indo para a publicidade.
Wilson Cunha lembra o que sempre é bom assinalar. ''Durante muito tempo, as chanchadas foram criticadas como exemplos de um cinema alienado, principalmente por críticos e diretores ligados ao Cinema Novo. Mas a revisão da chanchada mostra que na Atlântida se praticava uma estética da paródia que já era uma forma de resistência à dominação cultural de Hollywood.''

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