Homenagem à Voz da Mangueira
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sexta-feira, 24 de julho de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Dono de um timbre grave, potente e expressivo, Jamelão ficou conhecido como "a voz da mangueira". A obra do intérprete, no entanto, é muito mais abrangente do que os sambas-enredo da escola carioca verde e rosa que ele puxou na avenida por quase seis décadas. Antes sair de cena em 2008, aos 95 anos de idade, o artista gravou clássicos de Lupicínio Rodrigues, Cartola e Ary Barroso, lançados por ele em mais de 50 discos gravados ao longo de sua prestigiada carreira musical.
Dar continuidade a esse legado é uma missão que foi assumida há mais de 10 anos por Jamelão Netto. Carioca criado nas imediações do Morro da Mangueira, o jovem desembarca hoje em Londrina como principal atração do Samba da Madrugada, evento mensal dedicado ao ritmo dos bambas. Em apresentação que acontece hoje, no Espaço Sementes, o cantor promete defender com a mesma garra do avô um repertório recheado de clássicos da música popular brasileira.
"Vou cantar música compostas por ele, como 'Esta melodia', que foi regravada por Marisa Monte, 'Eu agora sou feliz', que já foi interpretada por Maria Bethânia. E outras que fazem referências ao universo do samba e sobretudo à Mangueira e que já foram gravadas por nomes como Nelson Cavaquinho, Chico Buarque, Alcione, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e outros grandes artistas", adianta.
Criado pelos avós maternos, Jamelão Netto costuma dizer que o universo do samba faz parte de sua vida desde o berço. "Minha mãe é filha única e foi morar fora do Brasil quando eu ainda era criança. Então fui criado pelo meu avô, que me levava a quase todos os shows e rodas de samba das quais participava", relata.
Apesar de conviver com o famoso sambista, Jamelão Netto conta que só na adolescência teve noção da importância que Jamelão tinha para o samba. "Em 1994, quando eu tinha uns 14 anos, a Mangueira fez o desfile com os Doces Bárbaros e após puxar o samba na Sapucaí eu e meu avô fizemos o trajeto de volta a pé com as pessoas da arquibancada gritando o nome dele e fazendo sinal de reverência. Aquela cena emocionante foi muito marcante pra mim. Ali eu tive a dimensão do respeito que tinham por ele", lembra.
Ainda na adolescência, Jamelão Netto tentou fazer a alegria do avô arriscando a carreira de jogador de futebol pelo Vasco da Gama, clube de coração do sambista. Porém uma lesão no joelho empurrou-o para a música. "Tentei fazer outras coisas mas a música sempre falou mais alto. Até que, em 2003, resolvi me dedicar a manter viva a obra dele. Muita gente não sabe, por exemplo, que antes de se tornar sambista conhecido ele era um cantor da era do rádio bastante eclético e o principal intérprete das canções românticas de Lupicínio Rodrigues, entre outros compositores daquele período", salienta.
Fazendo apresentações solo e participações especiais em redutos de bambas do Rio de Janeiro, onde mora, Jamelão Netto batizou de "O legado do samba" o show dedicado ao repertório do avô. "Também estou gravando algumas faixas de um EP que pretendo lançar este ano no qual misturo várias referências, passeando entre o clássico e o contemporâneo", afirma.
Acostumado a ver as pessoas apontarem suas semelhanças físicas e vocais com o mestre Jamelão, Netto prefere deixar essa percepção a cargo do público. "Gosto quando dizem que tenho uma voz parecida com a dele, mas acho que é pretensão demais fazer essas comparações. Meu objetivo é não deixar tudo o que meu avô fez pela música brasileira cair no esquecimento", enfatiza.
Serviço:
Samba da Madrugada com Jamelão Netto
Quando Hoje, a partir 22 horas
Onde Espaço Cultural Sementes (R. Grafita, 332 Dentro do Grêmio Uninorte)
Quanto R$ 15 (até meia-noite) e R$ 20


