Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Hoje, no Guairinha, a imagem de Elizeth Cardoso vai pairar sutil nas emoções dos artistas e da platéia. Não é para menos – a noite será dedicada a ela no espetáculo que Aderly Santy e Grupo Retratos apresentam a partir das 9 horas: ‘‘Uma Rosa para Elizeth’’.
Coisa de f㠖 o espetáculo foge aos padrões de só lembrar os artistas mortos em datas comemorativas de nascimento ou falecimento. Com a grande intérprete carioca será diferente – o show acontece num dia comum pautado na importância que ela representa para a música, muito embora a gravação ao vivo dessa noite venha a ser lançada daqui a alguns meses, quando Elizeth estaria completando 80 anos.
‘‘No caso dos grandes artistas, o que morre é a matéria. A obra que ele construiu continua com a gente’’, afirma Aderly. Ela abre o show com ‘‘Camarim’’, letra comovente da primeira faixa de seu último disco, composto somente de voz e violão (de Rafael Rabelo). Os primeiros versos dizem: ‘‘No camarim/ as rosas vão murchando/ e o contra-regra dá/ o último sinal’’.
‘‘Vamos fazer tudo com a alma, com o coração, por tudo que Elizeth fez ao Brasil, às pessoas que a ouviam’’, promete Aderly, 66 anos de idade. Ela é uma das legítimas artistas da ‘‘era do rádio curitibana’’. Nos anos 50 desenvolveu carreira em diversas emissoras, como a Clube e Tingui, até o declínio desse período, com a debandada do público para a televisão.
Junto à intérprete está o Grupo Retratos, formado por jovens instrumentistas que se dedicam ao choro: Sérgio Albach (clarinete e clarone), João Egashira (violão e bandolim), Simone Cit (cavaquinho). Gabriel Schwaretz (flauta), Joãozinho do Pandeiro, Luciano Lima e Luiz Otávio Almeida (violões).
Pelo fato de serem chorões, o cartaz do Teatro Guaíra homenageia também o mestre chorão Arlindo Santos (1927-1999). Inclusive, parcela da bilheteria será revertida à sua família.
Do extenso repertório da cantora, descoberta nos anos 30 por Jacob do Bandolim, que a ouviu cantar numa festinha de aniversário, foram selecionados 14 números. Não poderia faltar ‘‘Canção de Amor’’, que ficou como um prefixo da artista, e ainda tem ‘‘Naquela Mesa’’, ‘‘Quando Eu me Chamar Saudade’’, ‘‘Serra da Boa Esperança’’ e, a capela, ‘‘Não Existo Sem Voc꒒. Num
pot-pourri estão ‘‘Olhos Verdes’’, ‘‘É Luxo Só’’, ‘‘Isto Aqui o que ɒ’, ‘‘Mulata Assanhada’’.
A idéia do espetáculo partiu de Aderly, que atualmente canta na noite. Ela comentou com Sérgio Albach da vontade que tinha de montar um show lembrando Elizeth. Da conversa informal à sessão desta noite, a evolução passou pelo produtor Ronaldo Pimentel, que cuidou inclusive dos planos do CD ao vivo.
Aderly disse à Folha2 que o clima entre toda a equipe, durante as semanas de ensaio, é de ‘‘muita alegria, vitalidade, encantamento e nostalgia’’. ‘‘Acredito que Elizeth esteja por perto. Ela tem que estar, por causa da nossa euforia, do nosso amor, da união que é permeável entre os artistas. Por todo o cuidado e pelo clima maravilhoso que está sendo a preparação do show, Elizeth Cardoso está junto, vendo que preparamos em sua memória.’’
Uma Rosa para Elizeth – Show com Aderly Santi e Grupo Retratos. Direção musical de João Egashira, direção geral de Sérgio Albach e produção de Ronaldo Pimentel. Hoje, às 21 horas, no Guairinha. Ingressos: R$ 7,00.

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