Homenagem a Cem Anos de Solidão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Julio Olaciregui France Presse 
ReproduçãoGabriel
Garcia
Marquez:
conferências,
recitais e
exposições
lembram sua
obra-primaHá três décadas foi publicado o romance Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez, e em homenagem a este fato foi aberta em Paris uma temporada de música popular do Caribe colombiano, incluindo também recitais, conferências e exposições de pintura.
Daniel Samper Pizano, escritor e jornalista colombiano, fez na segunda-feira na UNESCO a conferência Cem Anos de Vallenato, traçando a história desta música típica da região do norte da Colômbia; há um século, seus dançarinos também faziam o papel de correio ou de cronistas.
Por volta de 1890 camponeses e pastores do Vale de Upar começaram a percorrer, como os jograis da Idade Média, os caminhos da costa do Caribe colombiano, com seu acordeão, cantando as crônicas do que acontecia nas mais remotas regiões, assim como histórias de amor, em quatro ritmos diferentes: sones, puyas, merengues e paseos.
Samper Pizano, encarregado das letras das canções interpretadas pelo conjunto de Ismael Rudas, explicou que a música vallenata é produto da mestiçagem cultural entre América, Europa e África, refletida nos instrumentos usados.
Samper Pizano recordou que Gabriel Garcia Marquez disse alguma vez que Cem Anos de Solidão é na realidade um vallenato de 300 páginas.
Nos vallenatos mais antigos, segundo Samper, podem se encontrar palavras tradicionais espanholas e expressões antigas do mais castiço idioma utilizado por Cervantes y Quevedo no Século de Ouro.
ProgramaçãoNa próxima terça-feira será inaugurada no consulado da Colômbia a exposição de desenhos e esculturas de Darío Morales, artista cartagenero que morreu em 1987 aos 43 anos.
Um dia depois, o trio Nueva Colombia, grupo clássico composto pela mezzo-soprano Ana Saturia Franco, pelo pianista Juan Carlos Gutiérrez e pelo baixista Luis Fernando Tangarife, interpretará obras do repertório musical popular, entre elas as dos compositores José Barros, Jorge Villamil e Rafael Escalona. Para encerrar esta temporada cultural colombiana em Paris, em homenagem ao mais célebre livro de Gabriel Garcia Marquez, o escritor Alvaro Mutis fará no final do mês uma leitura dos textos mais recentes de Gabo.


