''Estava à toa na vida e o meu amor me chamou pra ver a banda passar cantando coisas de amor...'' Assim, já cantava Chico Buarque, que com a música ''A Banda'' conquistava sucesso e deixava marcado todo o lirismo que as bandas sempre transmitiram. Em Londrina, isso não é diferente e no desfile cívico de 7 de Setembro o grande homenageado será o músico Gaudêncio Mazzer, 88 anos, que há 55 anos foi um dos fundadores da Banda Municipal.
''A música é a minha vida, é a minha alma. Se pudesse nascer de novo, nasceria músico'', conta esse descendente de italianos, que veio para Londrina aos 24 anos e daqui nunca mais quis sair. ''Falar mal de Londrina é falar mal do meu pai e da minha mãe. Daqui não saio e, se me mandarem embora, eu juro que volto!'', brinca seo Gaudêncio.
Vindo de Sertãozinho, interior de São Paulo, ele lembra das dificuldades da vida na roça. Mesmo assim, uma vez por semana, arriava o seu cavalo para ir à cidade estudar música. ''O cavalo era bem velho e demorava para chegar, mesmo assim valia a pena'', comenta. As aulas eram de clarineta e quando já estava começando a dominar o instrumento mudou-se para Londrina, onde nem imaginava que pouco tempo depois estaria integrando a formação de uma banda municipal, criada a partir da iniciativa de um grupo de vereadores na gestão do prefeito Hugo Cabral, em 1948. O seu instrumento continuou sendo a clarineta, mais rara, de 13 chaves, conhecida como ''pica-pau''.
''Acho que puxei do meu avô o gosto pela música. Na Itália, ele fez conservatório para maestro e músico e, aqui no Brasil, onde trabalhava nas lavouras de café, tocava nas fazendas, principalmente em casamentos. Com meu pai aprendi as primeiras notas da sanfona e também o acompanhava em diversas apresentações.''
A primeira apresentação da Banda Municipal foi no dia 1º de janeiro de 1949, na entrada lateral da Catedral, próxima à Praça da Bandeira. Eram cerca de 23 músicos (hoje, 30 fazem parte de banda). Segundo ele, o sucesso da banda foi imediato. Tocavam em eventos oficiais, religiosos, festas e viajavam por todo o interior do Paraná. ''Somos os responsáveis por tornar o nome de Londrina conhecido. Todos ficavam admirados com a qualidade da nossa banda e sempre nos elogiavam. Era uma emoção muito grande'', disse.
Os discursos políticos passavam despercebidos, relembra seo Gaudêncio, a menos que a banda estivesse por perto. ''Quando a gente estava tocando, todo mundo parava para nos escutar e prestava atenção no político que estivesse falando. Quando a música é boa, ela contagia'', falou o músico.
Gaudêncio é do tempo em que quando uma casa era levantada, normalmente de madeira, era comum ter uma festa para comemorar o evento, antes que o dono concluísse a obra colocando as divisórias da casa. ''As pessoas se reuniam naquele salão improvisado, os músicos eram chamados e a festa rolava a noite inteira. Não havia confusão como hoje em dia. Só muita alegria e diversão...'', destacou.
Ele diz que ficou muito feliz com a homenagem e que espera que a Banda Municipal receba ainda mais apoio para continuar as suas atividades. ''A banda tem que ser sempre valorizada, pois faz parte da história de Londrina'', ressaltou. Afastado da banda há pouco mais de um ano, devido à indisposição física, ele se emociona quando pensa na possibilidade de um dia a banda acabar.
Seo Gaudêncio também fala com orgulho da Associação Comunitária de Idosos de Londrina (Acil) que também fundou e que congrega mais de 500 idosos. Esbanjando bom humor, ele defende que a música rejuvenesce e que dançar também é muito saudável para todas as idades.

*Serviço:
Desfile Cívico de 7 de Setembro, em Londrina. Terça-feira, às 9h30. O percurso será entre a Rua São Luís e Rua Mossoró. Devem participar 49 entidades da cidade.

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