Curitiba - A literatura que foge dos padrões convencionais é o tema da 16ªedição do Perhappiness, evento da Fundação Cultural de Curitiba que começa hoje e vai até o próximo domingo. Para abordar o tema ‘‘A transgressão da linguagem’’, os organizadores do evento escolheram poetas e escritores donos de produções inovadoras. É uma tentativa de ligar a temática ao escritor Paulo Leminski, que inspirou a criação do evento.
  ‘‘Esta edição reúne poetas e escritores que de alguma maneira transgridem a linguagem convencional, assim como Leminski o fez’’, explica a coordenadora do evento Renata Mele. Leminski faria 60 anos este ano e além de uma temática teoricamente subversiva para ilustrar o Perhappiness, a Fundação Cultural preparou uma mostra de filmes com e sobre o poeta para homenageá-lo.
  São verdadeiras relíquias como ‘‘Ervilha da Fantasia’’ (1985), de Werner Shumann, uma entrevista com Leminski confortavelmente instalado sobre uma pilha de livros em que ele discorre sobre o processo de criação e ‘‘Assaltaram a Gramática’’ (1984), de Ana Maria Magalhães, que reúne Leminski, Waly Salomão e Francisco Alvim. A mostra também reúne clipoemas baseados em poesias de Leminski.
  Os clipoemas foram feitos com recursos, e em concursos, de edições anteriores do evento. Este ano, o concurso que promovia a realização dos vídeos não aconteceu. O escritor Décio Pignatari, que estava a frente do Perhappiness nos últimos anos, também deixou a coordenação do evento e foi promovido uma pequeno corte, de cerca de R$ 20 mil, no orçamento. A edição deste ano, última da gestão de Cassio Chamecki como diretor da Fundação, está orçada em R$ 60 mil.
  A programação está centrada nos debates com escritores e poetas. São mais de 20 profissionais de várias regiões do País, que vão trazer literatura e música ao evento. A gaúcha Clarah Averbuck, por exemplo, fala sobre seu trabalho, que partiu da internet para a gráfica, mas também faz show com a banda ‘‘Jazzie e os Vendidos’’, da qual faz parte. O gaúcho Daniel Galera também vem falar de literatura e mostrar música no Perhappiness. Galera é dos idealizadores do selo editorial Livro do Mal e toca na banda Blanched, que também faz parte da agenda do evento.
  Clarah e Galera, assim como outros escritores que integram a programação desta edição do Perhappiness, têm uma particularidade: estão ligados pela rede. A internet foi fundamental pra que eles produzissem ou divulgassem o seu trabalho. A maioria deles utilizou os blogs, os diários virtuais, como ponto de partida para escrever e publicar as suas idéias.
  Daniel Pelizzari, que participa de debate hoje sobre o tema blogescritores, foi um dos primeiros a utilizar a internet como suporte e laboratório literário. Ele acaba de organizar e lançar ‘‘Wunderblogs.com’’, que reúne textos produzidos e divulgados em blogs. O livro terá lançamento e sessão de autógrafos hoje. Antes porém, Pelizzari participa de debate ao lado da carioca Cecília Gianetti e do paulista Lúcio Ribeiro. A programação de hoje encerra com show da banda curitibana Beijo AA Força.
  Até o próximo domingo, o Perhappiness oferece uma programção diária, com debates sempre a partir das 19 horas, no Memorial de Curitiba (Largo da Ordem), além de eventos musicais e lançamentos de livros. Os londrinenses Mário Bortolotto e Rodrigo Garcia Lopes integram o time de escritores que participam dos debates, além de Ademir Assunção.

SERVIÇO
Perhappiness - A Transgressão da Linguagem. De hoje a domingo no Memorial de Curitiba (Lardo da Ordem). Mostra Paulo Leminski no Cinema na quarta e quinta-feira, às 19h30, no Cine Luz.

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