A versão mais jovem do personagem gera expectativa nos fãs
A versão mais jovem do personagem gera expectativa nos fãs | Foto: Divulgação


Não faz tanto tempo assim que o Homem-Aranha abriu suas teias sobre os cinemas brasileiros. Há três anos, a segunda parte da série de filmes "O Espetacular Homem-Aranha", protagonizada por Andrew Garfield, estava em cartaz. E, antes dela, saiu a trilogia em que Tobey Maguire vivia o personagem principal.

Mas em tempos em que super-heróis garantem superbilheterias (o primeiro filme de Maguire arrecadou cerca de US$ 800 milhões no mundo, e a estreia de Garfield rendeu média de outros US$ 700 milhões), os estúdios não esperam muito para inventar novas aventuras. Assim, chega nesta quinta (6) aos cinemas de todo o país "Homem-Aranha: De Volta ao Lar", protagonizado pelo inglês Tom Holland. O personagem já havia roubado a cena em "Capitão América - Guerra Civil" (2016) e, agora, ganha um filme solo, dirigido pelo pouco experiente Jon Watts.

Na história, Peter Parker tem 15 anos e é imaturo e deslumbrado com seus superpoderes. Apadrinhado por Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem de Ferro, ele precisa passar por uma espécie de estágio para se tornar um herói de verdade e, assim, fazer parte de Os Vingadores, um clã de super-heróis.

Peter tenta, então, mostrar que é capaz de enfrentar grandes desafios. No entanto, após receber seu uniforme das mãos de Stark, é deixado de lado. Com isso, em vez de enfrentar vilões, Parker precisa encarar a pacata rotina na escola, com o amigo Ned (Jacob Batalon).

Entre uma aula e outra, o adolescente coloca sua farda de Homem-Aranha e sai pelas ruas de Nova York para ajudar os outros. Ao tentar mostrar serviço, ele acaba metendo os pés pelas mãos diversas vezes.

À medida que vai desvendando seus poderes, ele começa a se envolver em situações de risco. O perigo aumenta quando o super-herói tenta impedir um assalto a banco e se depara com bandidos que usam armas superpoderosas. Parker acaba enfrentando o vilão Abutre -Michael Keaton, cuja atuação faz lembrar seu papel em "Birdman", de 2015, indicado ao Oscar.

A versão mais jovem do Homem-Aranha gera expectativa nos fãs. O ilustrador Thony Silas, que desenhou o super-herói para os quadrinhos da Marvel em 2012, está ansioso para conferir o novo filme. "Espero que consigam desenvolver melhor o personagem, que é bastante complexo", afirma ele. "Acho que o novo ator vai trazer mais personalidade ao Homem-Aranha", completa o desenhista.

Imagem ilustrativa da imagem ‘Homem-Aranha’ volta com outro protagonista



Espectador se identifica com lado humano

O personagem Homem-Aranha é um dos que mais despertam identificação com o público. Segundo Tiago Abreu, coordenador do grupo de estudos NeoMitoSofia, que aborda o universo dos quadrinhos e da filosofia, o motivo são os diversos problemas que ele enfrenta, comuns aos fãs.

"O Homem-Aranha foi um dos primeiros a quebrar aquela ideia do herói ideal, porque ele é cheio de problemas. Ele é órfão, mora com a tia, rala para conseguir pagar as contas, não é herdeiro de nenhum ricaço. É um cara imerso em transtornos comuns ao dia a dia de muita gente", destaca.

Ele ainda completa: "O que mais o preocupa não é só lutar com vilões, mas também passar de ano na escola, se acertar com a namorada quando brigam. Isso desde a época dos quadrinhos. Mas os filmes também retratam essas crises".

Para Abreu, a imagem de um Homem-Aranha mais maduro, como já foi visto em outros momentos, não deu muito certo. "A tendência, ao que parece, é que o principal desafio para renovar a franquia seja encaixar novos atores e resgatar o Homem-Aranha o mais jovem possível, com atitudes de moleque. É assim há 70 anos nos quadrinhos, e o cinema quer jogar a idade lá para baixo também", avalia. Ele diz que, se forem mantidos personagens adolescentes, a tendência é que haja uma renovação frequente de atores e mais lançamentos com o herói.

Nos cinemas, o personagem chegou a amadurecer e irritou um de seus criadores, o roteirista norte-americano Steve Ditko. "Para ele, o cara tinha que ser sempre um perdedor e continuar a sofrer bullying na escola para ter sucesso. Isso gera identificação."

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