'Homem-Aranha: Um Novo Dia' : super-herói está nos cinemas de Londrina
Em estreia mundial, Peter Parker e Marvel ensinam como amadurecer um personagem sem trair sua essência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Em estreia mundial, Peter Parker e Marvel ensinam como amadurecer um personagem sem trair sua essência
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 
Por conta das rédeas quiméricas soltas em todas as salas no mundo do entretenimento, vamos imaginar por um momento que Christopher Nolan esteja se despedindo e agradecendo a todo o elenco da “Odisseia” com a tradicional frase final (“picture wrap!”, ou “fim da filmagem !”) após a gravação da última cena.
Chega a vez de Tom Holland (Telêmaco, o filho de Odisseu/Matt Demon) e Nolan faz seus votos:
“Que você teça a teia de seu destino aracnídeo com a mesma gravidade mitológica que imprimiu a criação de Homero”.
Pois não é que o ator sentiu a intensidade do momento e trouxe para “Homem-Aranha: Um Novo Dia” (em lançamento mundial, Londrina incluída), seu tradicional personagem da Marvel, uma bravura que só fez bem às suas andanças e peripécias?
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Vamos começar com uma breve recapitulação da premissa. Após os eventos de “Sem Volta para Casa”, encontramos um Peter Parker melancólico e satisfeito com uma existência anônima; embora todos o reconheçam quando está mascarado, ninguém se lembra dos grandes sacrifícios que ele um dia fez pela cidade. Esse distanciamento de sua vida anterior se estende a MJ (Zendaya) e Ned (Jacob Batalon), que seguiram em frente, sem saber que já foram inseparáveis do maior herói de Nova York.
Mas uma nova ameaça paira sobre a cidade – uma força maligna e melíflua, capaz de controlar mentes e dobrar os outros à sua vontade. O caos é iminente, e o Homem-Aranha, bem no meio da "puberdade", pode ser o único capaz de conter essa ameaça.
AVENTURA NAS TELONAS
O Homem-Aranha de Tom Holland já é a versão “live-action” com o maior número de aventuras nas telonas. Além de seus filmes-solo, já foi visto unindo forças com os personagens mais poderosos da Terra-616. No entanto, nada disso importa em “Spider-Man: Brand New Day”, que apresenta um Homem-Aranha mais capaz — mas também um Peter Parker mais vulnerável. Sim, ainda mais do que em “Sem Volta para Casa”, quando sua identidade foi revelada. O roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers confere ao personagem de Tom Holland uma maturidade necessária, e faz isso por meio de vários outros personagens.
Obviamente, MJ e Ned desempenham um papel fundamental nesse aspecto, mas Peter também será impulsionado pela personagem de Sadie Sink (“Stranger Things”) de mais de uma maneira.
O Peter Parker interpretado por Tom Holland agora incorpora, e parece que de vez, o personagem teve de esperar até o final de seu terceiro filme, *Homem-Aranha: Sem Volta para Casa* (2021). Esta é a versão original dele, aquela original popularizada nos quadrinhos – a figura mais próxima de um "fracassado" entre todos os super-heróis do Universo Marvel. Inicialmente, “Brand New Day” explora esse conceito ao reduzir a escala do espetáculo e optar por um tom mais emocional do que os capítulos anteriores da saga, alinhando-se a um personagem que precisou apagar todos os vestígios de sua existência da memória até mesmo de seus entes queridos para salvar o mundo, e que agora precisa lidar com as consequências.

TRISTEZA DO HERÓI
O diretor Destin Daniel Cretton mantém o foco tanto na solidão quanto na tristeza do herói, bem como em suas manifestações físicas e psicológicas, transformando sentimentos de saudade, culpa, luto e raiva na principal força motriz da trama.
Vale ainda lembrar que o grande apelo de Peter Parker sempre foi sua capacidade de transmitir normalidade, apesar dos superpoderes, e de envolver o publico fiel na mistura de alegria e angústia que define sua personalidade; no entanto, os filmes da Marvel têm utilizado sua presença principalmente para impulsionar os arcos narrativos de outros personagens, sacrificando, nesse processo, o impacto emocional de seus próprios conflitos.
Embora “Um Novo Dia” não evite totalmente esse hábito negativo, o filme ainda oferece ao personagem a chance, ao amadurecer como super-herói, de revelar sua humanidade como nunca antes, marcando um marco importante para aquela que já é sua encarnação cinematográfica de maior duração.
E por último, mas não menos importante, o Homem-Aranha precisa de um elemento vital que, de muitas formas, esteve “ausente” nos filmes anteriores. Aqui, Nova York volta a desempenhar papel fundamental na aventura do herói aracnídeo. A "Big Apple" retorna como entidade viva que abraça o personagem, resgatando instantaneamente a essência dos quadrinhos que tornou Spider-Man um ícone comunitário que não pode esquecer jamais de sua urbe.





