Selecionadas para a mostra Cena Londrina, duas montagens locais integram a programação de hoje do Filo. A Cia L2 apresenta às 20 horas, na Casa de Cultura da UEL a peça "Para aqueles que ainda vão nascer", que apresenta uma projeção de estados psicofísicos despertado por relatos dos horrores do holocausto. No mesmo horário, a Cia Funcart de Teatro apresenta "À beira do precipício", que faz uma reflexão sobre a solidão a partir de um encontro polêmico de dois personagens de universos distintos.
Encenada por alunos do curso de artes cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que integram a Cia L2, "Para aqueles que ainda vão nascer" leva ao palco sensações despertadas nos atores dançarinos que estudaram um amplo material das crueldades praticadas por nazistas durante a II Guerra Mundial. Com a peça, o grupo não busca é ilustrar o sofrimento mas sim expressar uma vivência corporal a partir do que surge no corpo do ator diante do horror, além de provocar a reflexão: de onde nascem os anseios de mudança?
Dirigida pelo coreógrafo Aguinaldo de Souza, a montagem que estreou na cidade em junho deste ano foi inspirada no textos que a filósofa alemã Hannah Arendt escreveu sobre o Holocausto e dos livros "O diário de Anne Frank" e "Holocausto Brasileiro", da jornalista brasileira Daniela Arbex. Também compuseram o material de pesquisa do grupo filmes como "O pianista" e "O leitor".
Após uma estreia de sucesso no Filo de 2008, a peça "À beira do abismo" ganha uma nova adaptação do dramaturgo, diretor e autor da montagem que narra o encontro afetuoso entre o advogado Afonso e o michê Zeca. "Reestreamos a peça em duas temporadas no começo deste ano e ficamos muito contentes com a receptividade do público pois conseguimos reunir mais de 500 espectadores. Em princípio ficamos meio apreensivos nos questionando se conseguiríamos tocar as pessoas como na primeira montagem. Mas parece que a plateia tem saído ainda mais emocionada agora do que antes", afirma Silvio Ribeiro.
Segundo ele, o efeito surpresa é um dos pontos altos da peça. "As pessoas chegam esperando uma coisa relacionada a sexo entre dois homens, mas a temática central é a saudade e a solidão. Assuntos muito atuais neste mundo moderno no qual todo mundo se relaciona com várias pessoas mas não consegue se sentir bem de fato ao lado de alguém", argumenta.
A montagem ganhou uma música batizada com o nome da peça. "Integrantes de dois grupos de hip hop da cidade, os rappers Vinicius Camacho e Vinicius Rett compuseram a canção especialmente para a peça a partir das sensações que tiveram ao assisti-la", relata Ribeiro ao se referir aos integrantes dos grupos Fim de Tarde e Fino da Trip.
De acordo com o dramaturgo, outro destaque da montagem é a presença do ator londrinense Donizetti Buganza, que também participou da primeira adaptação no papel do advogado Afonso. "Estou tendo a honra de dirigi-lo novamente. É uma ótima oportunidade para o público conhecer e apreciar o trabalho deste grande ator que a cidade formou e que é um maiores dos nomes da artes cênicas do Paraná", enfatiza.

mockup