HOLLYWOOD VAI À GUERRA
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sábado, 10 de novembro de 2001
Anna Cuenca<br>France Presse 
O presidente americano George W. Bush, geralmente crítico com a indústria cinematográfica, volta-se neste momento para Hollywood na tentativa de melhorar a imagem dos Estados Unidos no mundo muçulmano, iniciativa que alguns temem que se torne simples propaganda.
Karl Rove, um dos homens mais próximos de Bush, vai viajar no domingo a Los Angeles para realizar ''uma reunião de trabalho particular e confidencial'' com diretores dos principais estúdios e redes de televisão para debater a contribuição que Hollywood pode fazer ao esforço bélico, segundo o convite enviado aos participantes.
A iniciativa faz parte de um esforço da administração Bush para lutar contra o que considera um crescente influência da informação favorável aos talibãs desde os atentados do dia 11 de setembro e uma imagem errada dos Estados Unidos nos países muçulmanos. Um esforço que o porta-voz da Casa Branca Ari Fleischer definiu como ''falar à população do mundo inteiro sobre a importância desta causa''.
O fato de que Bush, que normalmente tem péssimas relações com a indústria cinematográfica e criticou a estreita relação de seu antecessor Bill Clinton com Hollywood, designou o influente Rove para liderar o encontro mostra a importância que a administração dá a esta iniciativa.
Entretanto, a reunião programada para amanhã lembra a alguns em Hollywood a época da Segunda Guerra Mundial. ''Os diretores dos estúdios eram chamados para reuniões de emergência e existia um departamento de informação de guerra que dizia a Hollywood o tipo de filmes que podia fazer, segundo Leo Braudy, professor de história do cinema na Universidade do Sul da Califórnia (USC).
''Disse a algumas pessoas na Casa Branca que espero que não venham tentar nos dizer que tipo de filmes temos que fazer'', afirmou o presidente da Motion Pictures Association of America (MPAA), Jack Valenti, em entrevista à rede CNN de televisão.
''Estamos falando dos diferentes papéis que podemos desempenhar'', acrescentou Valenti, favorável à iniciativa. ''Poderiam ser anúncios de serviços públicos, de incentivo a nossos soldados ou mensagens em farsi e árabe destinadas ao Oriente Médio, a essa gente que precisa saber que não somos seus inimigos, que seu inimigos são os terroristas'', acrescentou.
Uma idéia que Salam Al Marayati, diretor-executivo do Conselho Muçulmano de Assuntos Públicos (MPAC, sua sigla em inglês), um grupo de defesa dos direitos humanos dos muçulmanos americanos, considera acertada.
''Os filmes americanos agradam todo mundo, as pessoas prestam atenção e formam desta maneira a imagem da América do Norte'', avaliou Al Marayati durante um debate organizado pela CNN sobre o papel que Hollywood pode desempenhar na guerra contra o terrorismo.
Entretanto, como a produção de um filme leva entre dois e três anos, a indústria televisiva pode dar uma resposta muito mais imediata aos apelos da Casa Branca, afirmou Bryce Zabel, presidente da Academia de Artes e Ciências Televisivas.
''Quase todas as séries de televisão que quiseram responder aos atentados de 11 de setembro já têm projetos em andamento ou filmados ou editados ou prestes a serem transmitidos'', afirmou.
Apesar disso, muitos resistem à ideia de deixar o governo intervir na mensagem dos meios de comunicação.
''O pior que poderia acontecer agora é que todo mundo em Hollywood se sinta obrigado a fazer algo a respeito disso'', avaliou o diretor de cinema Sydney Pollack, citado recentemente pelo jornal Los Angeles Times.
Enquanto isso, Hollywood continua dependendo dos resultados da reunião de domingo, na qual devem estar presentes o presidente da Viacom Inc. Sumner Redstone e o dono da News Corp. Rupert Murdoch.


