HOLLYWOOD EM TRANSIÇÃO
1997 foi o ano do cinema independente, das comédias românticas e dos filmes para o público negro
Ricardo Bairos
Planet Pop/AE
Nova York

Reprodução‘‘Homens de Preto’’ pode ser considerado o filme de 1997Este foi o ano de aprendizado para os estúdios de Hollywood. Enquanto superproduções com astros e estrelas de primeira grandeza eram fracassos de bilheteria e geravam megaprejuízos, filmes de baixo orçamento, com histórias inovadoras, roteiros bem escritos e atores competentes ganhavam o público dos cinemas. Foi o ano do cinema independente, da volta dos filmes de horror, das comédias românticas, dos filmes para o público negro, dos personagens gays, das caracterizações dos anos 70 e muito mais.
Boa parte dos filmes que foram os destaques de 1997 ainda não chegou aos cinemas do Brasil, mas é questão de dois ou três meses. A maior parte das produções que entraram em cartaz no fim do ano nos Estados Unidos, a tempo de concorrer ao Oscar, vão ser exibidas no Brasil antes do final de março. Confira a seguir quais foram as principais tendências do cinema este ano e tente descobrir quais vão ser os hypes das telas em 1998.
Ganhadores e perdedores Em Hollywood, ganhadores e perdedores são separados em termos de bilheteria na maioria das vezes. Na lista das produções vencedoras, está ‘‘Será Que Ele É?’’, que custou US$ 35 milhões e faturou até agora US$ 67,5 milhões; ‘‘I Know What You Did Last Summer’’, que custou US$ 17 milhões e já arrecadou US$ 65 milhões; e ‘‘Soul Food’’, que custou apenas US$ 7 milhões e rendeu US$ 48 milhões.
Entre os que causaram mais problemas do que deveriam, estão ‘‘The Game’’, que custou US$ 70 milhões e faturou US$ 50 milhões; ‘‘O Pacificador’’, que não saiu por menos de US$ 50 milhões e arrecadou até agora apenas US$ 43 milhões; e ‘‘Los Angeles, Cidade Proibida’’, que por enquanto apenas empatou os US$ 40 milhões que custou - por conta de suas indicações para vários prêmios, ainda deve voltar aos cinemas com tudo. Entre os grandes perdedores estão ‘‘Seven Years in Tibet’’, que custou US$ 70 milhões e só rendeu US$ 35 milhões; ‘‘Gattaca’’, que foi feito com US$ 20 milhões e só conseguiu recuperar US$ 12 milhões; e ‘‘Uma Bela Propriedade’’, que queimou US$ 28 milhões e só arrecadou US$ 8 milhões.
Entre os blockbusters de sempre, ‘‘Homens de Preto’’ pode ser considerado o filme de 1997. Fez muito sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo e conquistou também a crítica. Mal de crítica e bem de público foi o caso de ‘‘O Mundo Perdido’’. ‘‘Batman & Robin’’, por exemplo, fracassou no mercado norte-americano e foi bem em outros países. ‘‘Velocidade Máxima 2’’, por sua vez, foi mal em todo o mundo e tomou pau de toda a crítica. Outros do mesmo time: ‘‘U-Turn’’, ‘‘A Life Less Ordinary’’ e ‘‘Gattaca’’. No fim do ano, o destaque vai para ‘‘Pânico 2’’ e ‘‘Titanic’’, campeões de bilheteria e, por que não, de crítica.
Os personagens de 1997 Alguns personagens de filmes lançados este ano nos Estados Unidos destacaram-se mais e, com certeza, vão render mais trabalhos para seus atores e atrizes em 1998. Rupert Everett ganhou páginas e mais páginas de revistas por causa de sua participação em ‘‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’’, com o personagem gay George. Para os próximos anos, ele deve voltar a fazer papéis de gays, em dupla com Julia Roberts num casamento de conveniência, em ‘‘Martha and Arthur’’, e como um espião no estilo 007 em ‘‘P.S.: I Love You’’.
Mark Wahlberg conquistou a crítica com sua interpretação de Dirk Diggler, o astro do cinema pornô de ‘‘Boogie Nights’’, e teve de explicar várias e várias vezes que o pênis de 30 centímetros que aparece na cena final do filme era apenas uma prótese. Em 1998, ele deve ganhar outros papéis de destaque e conquistar de vez seu lugar em Hollywood. Outra que é a cara de 1997 e deve virar cada vez mais mainstream em 1998 é Parker Posey. Este ano, ela ficou mais conhecida por sua participação em ‘‘The House of Yes’’, como a jovem Jackie O., obcecada por Jackie Kennedy Onassis. Ela teve vários outros papéis em filmes de menos destaque. Para o início de 1998, seus fãs já têm garantidos ‘‘The Misadventures do Margareth’’ e ‘‘Henry Fool’’, o novo filme de Hal Hartley.
A draq queen Lady Chablis, sem nenhuma experiência anterior em atuação, faz o papel dela mesma em ‘‘Midnight in the Garden of Good and Evil’’, a nova produção de Clint Eastwood, e destaca-se no meio de atores do primeiro time, como Kevin Spacey e John Cusack. Outro estreante que conquistou todo mundo no fim deste ano foi Matt Damon, o novo queridinho de Hollywood. Ele está em ‘‘O Homem Que Fazia Chover’’, o novo filme de Francis Ford Coppola, como o advogado calouro Rudy Baylor, e em ‘‘Gênio Indomável’’, o mais recente de Gus Van Sant, do qual também é autor do roteiro, junto com o amigo Ben Affleck (de ‘‘Procura-se Amy’’). Neste, ele faz o papel do desajustado Will Hunting.
O filme chegou na semana passada aos cinemas dos Estados Unidos, mas está entre os hits de 1997. ‘‘Melhor É Impossível’’, a nova comédia de James L. Brooks, o diretor de ‘‘Laços de Ternura’’, já é considerado um dos melhores trabalhos de Jack Nicholson nos últimos tempos. Ele está absolutamente hilário como o escritor obsessivo-compulsivo Melvin Udall. É a comédia romântica mais esperta do ano e deve render indicação ao Oscar para ele. Nunca suas caras e bocas conquistaram tanto o público e a crítica.
Independência conquistada Os filmes independentes ganham cada vez mais espaço nas telas dos Estados Unidos. O Festival de Sundance, que é realizado todo ano em janeiro na cidade de Park City, em Utah, tem cada vez mais filmes inscritos. Seus vencedores são sucessos garantidos de público e conseguem cada vez mais esquemas de distribuição profissionais. Este ano, alguns dos destaques foram ‘‘In the Company of Men’’, que também ganha na categoria do filme mais misógino do ano, e ‘‘The House of Yes’’, com a musa do cinema independente, Parker Posey (que também esteve em ‘‘The Daytrippers’’).
Os brits Os ingleses não emplacaram tantos sucessos nas telas mundiais durante o ano, mas superaram suas próprias marcas com duas comédias. ‘‘The Full Monty’’, sobre desempregados (‘‘commom people’’, como diriam os integrantes da banda local Pulp) que resolvem trabalhar como strippers, rendeu mais dinheiro do que ‘‘Quatro Casamentos e Um Funeral’’, que era o campeão de bilheteria anterior. ‘‘Mr. Bean’’, com o comediante Rowan Atkinson, fez milhões de dólares em todo o mundo. Na América, o sucesso foi menor, mas significativo.

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