Hoje tem palhaçada!!
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de junho de 1999
Francelino França 
Um nariz vermelho, um fole alemão de oito baixos e um saco de improvisos compõem o espetáculo de rua Vem Vindo o Palhaço, encenado pelo ator paraibano Luiz Carlos Vasconcelos, a partir de hoje no Filo. Mágico, acrobata, equilibrista, monociclista e malabarista, Vasconcelos é, na verdade, o palhaço Xuxu. Ator e diretor premiado do Teatro Piollin, seus espetáculos correram o mundo.
O palhaço Xuxu existe há 21 anos, mas germinou na infância de Vasconcelos em Umbuzeiro, interior da Paraíba. Ganhou corpo e se desenvolveu em experimentações de rua, oficinas e cursos. O palhaço Xuxu tem muito de minha personalidade, daquilo que está oculto em mim, como a excessiva preocupação com a roupa, revela o artista. No clown deste final de milênio, conceitua Vasconcelos, emerge a verdade absoluta de quem o faz.
O personagem do espetáculo Vem Vindo o Palhaço possui uma identificação imediata com qualquer público, seja um sertanejo ou um europeu cosmopolita. Xuxu esparrama gargalhadas por onde passa. No espetáculo, o palhaço aparece se arrastando, tocando seu fole, vão juntando pessoas numa roda, mostrando seu sensacional e inenarrável número: o desaparecimento de um ser vivente. A estrutura da peça está pronta para entrar o improviso, complementa.
Mergulhar no universo nada maravilhoso dos palhaços dos circos perdidos no sertão nordestino acabou virando missão de vida para o ator. Ele constatou que os pequenos circos se arrastam pelas periferias e cidadezinhas do interior, mais ainda não sucumbiram. É impressionante verificar como o palhaço está ali, sobrevivendo miraculosamente. Segundo constata o artista, os grandes circos que se aventuram pelas metrópoles são minguados.
O comprometimento com a sobrevivência da figura do palhaço levou Luiz Carlos Vasconcelos em 1981 a organizar 1º Festival de Palhaços do País, que teve duas edições. Nesses festivais, ele reuniu mais de 300 artistas populares do Nordeste, retratando a mais pura tradição popular, destrinchando as várias facetas do riso. O intercâmbio permitiu a várias gerações de artistas conhecer antigas tradições circenses e as novas técnicas de jovens palhaços. Para dezembro do ano 2000, Luiz Carlos Vasconcelos promoverá um festival no qual reunirá nos domínios paraibanos cômicos de várias culturas do planeta.


