Hoje é noite de forró no Cabaré
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quinta-feira, 03 de junho de 1999
Nelson Sato 
Quer saber pra quê serviram as aulas de dança de salão? Pois hoje é dia do Cabaré se transformar em forroteria, com a apresentação do grupo pernambucano Mestre Ambrósio, atração da noitada musical do Filo. O show deve começar às 23 horas.
Mestre Ambrósio traz a Londrina o repertório de seus dois tão aclamados CDs, dos quais muita gente só ouviu falar. O primeiro, batizado com o nome do grupo, saiu há dois anos pelo selo independente Rec Beat e já vendeu 20 mil cópias por correspondência e durante os shows. O novo, intitulado Fuá na Casa de Cabral, está chegando às lojas do País pela multinacional Sony.
O cardápio musical do grupo reúne baião, maracatu, samba, coco, caboclinho e uma variedade de outros ritmos pouco conhecidos do público do Sul. Os instrumentos incluem baje, bexiga, gongué, rabeca, zabumba, preacas, fole de oito baixos, gongo e mineiros. No palco, a performance dos músicos reproduz danças populares de Pernambuco.
Mestre Ambrósio é um dos expoentes do movimento mangue beat, ao lado das bandas Nação Zumbi e mundo livre s/a. Mas diferente das duas, consegue soar moderno apostando no folclore e em sonoridades tradicionais locais sem apelar para fusões estridentes com o rock, rap e batidas eletrônicas.
O mangue beat não é uma batida, não é um conceito estético. Mas uma revalorização da cultura produzida regionalmente, diz o vocalista e multiinstrumentista Helder Vasconcelos. A postura, contudo, não significa ortodoxia armorial e rejeição conservadora a outras correntes musicais.
No encarte do novo CD, há inclusive uma nota quase imperceptível em inglês afirmando que apesar de gostar o grupo não usou samplers, sintetizadores e nem sequenciadores na gravação do disco. Hélder salienta que a maioria dos integrantes já tocou em bandas de rock.
Nós ouvimos de tudo, do jazz ao pop caribenho e africano. Não abdicamos dessas influências, celebramos a diversidade. Só que a proposta do grupo foi desenvolvida a partir do envolvimento de cada um com as tradições, que gerou a necessidade de formular um conceito de identidade, de ser músico pernambucano e brasileiro.
A preocupação com as coisas da terra, segundo ele, também está presente no público. A geração 90 tem necessidade de buscar essa brasilidade, e sinto que ela é maior do que a gente imagina, nota o músico. Mestre Ambrósio, o nome, foi emprestado do mestre-de-cerimônias do Cavalo Marinho, uma espécie de bumba-meu-boi de Pernambuco, que une música e teatro.
A banda foi formada em 1992, e há dois anos está radicada em São Paulo. Já tocou na Europa e nos Estados Unidos. Está em turnê promocional do novo disco. Ainda este ano deverá se apresentar em Portugal. Paralelamente, um projeto de remixes de suas canções começa a ser engatilhado pelo produtor iugoslavo Suba (com quem o grupo trabalhou em Fuá na Casa de Cabral) e pelo DJ Soul Slinger (brasileiro radicado em Nova York). O disco, intitulado provisoriamente Mau - Mestre Ambrósio Underground, deve sair por aqui e no exterior.
Show com Mestre Ambrósio. Hoje, a partir de 23 horas, no Cabaré do Filo (Rua Taubaté, 170, antigo prédio da Londrimalhas). Ingressos individuais a R$ 10,00 (estudantes, idosos, funcionários da UEL e usuários da Tim Telepar, que apresentarem uma fatura telefônica terão desconto de 50%). Posto de venda: Casa de Cultura (Praça 1º de Maio, 118). Mais informações pelo telefone (043) 322-1030. O Cabaré abre suas portas às 22 horas.


