Hitchcock mostra duas faces da arte em 'Um Corpo que Cai'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Inácio Araujo<br> Folhapress 
''Um Corpo que Cai'' (Telecine Cult, 19h40, 12 anos) são dois filmes em um. O primeiro é engano, farsa. É a representação armada para que Jeff caia, enquanto segue a bela mulher, doente mental, que morre no fim. O segundo filme é um espelho, reconstituição da mulher morta e o desvendamento da trama da parte inicial.
São as duas faces da arte, segundo Hitchcock. A primeira, simples imitação da vida, tende à mentira. A segunda se faz de busca apaixonada da verdade e do real. Na primeira, impera o verossímil, o efeito é dissimulado. Na segunda, impera o artifício como caminho à arte.
No meio disso tudo, a constatação de que algo saiu errado na metade ilusória: a mulher, que deve fazer o homem apaixonar-se por ela, se apaixona pelo homem. Ou antes: atriz, se apaixona por seu papel. A estátua ganha vida. Sempre há algo verdadeiro na má arte, afinal.


