Hitchcock: Lon Chaney do Cinema Americano
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 1998
Lélio Sotto Maior Jr. 
Hitchcock é o Lon Chaney do cinema americano, pois sua obra oferece mil máscaras/faces ao espectador. Oficialmente, Hitch é o mestre do suspense, isto é, um hábil fabricante de sustos na platéia. Mas os hitchcockianos franceses, pertencentes à revista Cahiers du Cinéma, o consideram um autêntico autor, com sua temática própria e uma visão do mundo peculiar.
Tudo começou na metade dos anos cinquenta, quando os críticos do Cahiers se revoltaram contra a superficialidade com que era tratado o grande cineasta americano. Estes críticos, que se chamavam François Truffaut, Jean Luc Godard, Claude Chabrol, Erich Rohmer e Jacques Rivette - que viriam logo depois a lançar a Nouvelle Vague -, passaram a produzir ensaios profundos às obras de Hitchcock, chegando mesmo a considerá-lo um verdadeiro cineasta metafísico, pelo caráter enigmático e misterioso de seus melhores filmes.
Mas o que era ressaltado pelos cahieristas era a graça da misé-en-scéne hitchcockiana, o seu notório charme visual, a excelência formal do diretor, que levava a técnica do cinema às suas mais plenas possibilidades de realização.
Agora, a Biblioteca Pública do Paraná resolveu exibir um ciclo de quatro filmes do cineasta. No dia 24 será exibido Um Corpo que Cai (Vertigo), de certa forma a obra-prima do diretor, pelo seu marshmallow visual. Pelo cinema fantástico do cineasta.
No dia 25 será exibido o filme Disque M Para Matar, em excitante thriller do diretor. No dia 26 será exibido o fascinante Janela Indiscreta, para muitos considerado o mais subestimado filme, pois trata-se de um magnífico estudo do voyeirismo (vício de observar o ser humano indiscretamente), um ensaio sobre a curiosidade do homem moderno.
Finalmente, no dia 27 será exibido o inventivo Os Pássaros, filme insólito pelas suas geniais trucagens e pelo revolucionário uso da faixa sonora.


