Historiografia sem ranço
ReproduçãoAdriana Streppel, Samir Demétrius e Patrícia Marcondes, trio que está à frente da TodaVIA (acima): fugindo do convencionalismoHistoriografia sem ranço
Revista produzida por estudantes de pós-gradução em História Social será lançada hoje na UEL
Nelson Sato
Uma revista científica mas sem ranço acadêmico. É assim que os criadores da revista TodaVIA anunciam a publicação que será lançada hoje, a partir de 20 horas, na sala 108 do Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina.
A revista é produzida por formandos em Especialização em História Social da UEL, tendo à frente Patrícia Marcondes de Barros e Adriana Streppel Silva, além da colaboração do pós-graduando em Arquitetura Samir Demétrius Silva. O projeto era antigo, mas só agora pôde se concretizar, dizem eles.
Milton DóriaA proposta, segundo os pesquisadores, é fugir do padrão seco que transforma a maioria dos títulos universitários em calhamaços indigestos. Uma revista científica não precisa necessariamente ser só de textos. Queremos que os leitores tenham em mãos uma publicação agradável, solta, com uma apresentação atraente, observa Demetrius.
TodaVIA terá periodicidade semestral. A cada número lançado, uma nova comissão vai se responsabilizar pelo cardápio editorial, que inclui artigos, ensaios e resenhas. Pretendemos abrir espaço para análise de filmes, pinturas, livros e histórias em quadrinhos, mas desde que contribuam para o trabalho historiográfico, explica Patrícia.
As histórias em quadrinhos, aliás, estão presentes já nesta edição de estréia com um artigo do professor de Comunicação Rozinaldo Antonio Miani. Através da análise das charges de Henfil publicadas no jornal O Pasquim, nos anos 70, ele discute a questão das imagens, cujo potencial seria capaz de revelar a realidade e ainda servir de instrumento de resistência a regimes opressores.
Também com enfoque na imagem, o mestrando Rogério Ivano aborda os comportamentos ambíguos gerados pela fotografia junto ao público, que já a acolheu tanto com entusiamo quanto com desconfiança. Outros textos incluídos neste primeiro número da revista tratam desde o mito e o poder em Portugal no século XVII - a partir do discurso do padre Antônio Vieira - a uma análise do desenvolvimento das idéias políticas ao longo dos primeiros sessenta anos do século XX.
Os idealizadores da revista também participam com artigos. Adriana e Demétrius escrevem sobre as distintas recepções que o conceito de moderno obteve na Europa e no Brasil. Patrícia Marcondes, por sua vez, examina as idéias nacionalistas do filósofo alemão Joahn Gottfried Herder. Durante o lançamento, hoje à noite, estão previstas interferências musicais, cênicas e plásticas. A revista estará a venda a R$ 5,00.





