HISTÓRIAS QUE OS JORNAIS NÃO CONTAM
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quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Rodrigo Souza Grota<br> De Londrina 
Um assassinato. A polícia procura um responsável. Dois, três... treze mortos. A partir daí, a imprensa, a sociedade civil, o Estado, todos querem um rosto, uma face que dê nome e corpo ao gesto incompreensível. Essa necessidade de personificação, antes mesmo da comprovação de culpabilidade, é o mote do primeiro livro-reportagem do jornalista paranaense Roldão Oliveira Arruda.
Ele está hoje em Londrina para lançar ''Dias de Ira'' e conversar com o público, a partir das 20 horas no Teatro Zaqueu de Melo. Antes, às 19 horas, o poeta Adelino das Mercedes irá declamar alguns de seus versos, acompanhado da turma do projeto Batuque da Caixa, coordenado por Aldo Moraes.
Nascido em Jaguapitã, Roldão escreveu seus primeiros textos noticiosos na Folha de Londrina, no início dos anos 70. Ele assinava a coluna ''Escola Estudantes''. Em 1978, foi para São Paulo e trabalhou nos mais importantes órgãos de comunicação do País, como Movimento, Veja, Istoé, Leia Livros, Folha de S.Paulo e Exame. Atualmente é repórter de O Estado de São Paulo; e foi lá que há dez anos publicou uma reportagem especial sobre os números de assassinatos de menores em São Paulo. ''Fiquei um mês em delegacias procurando informações sobre as crianças assassinadas. Quando a matéria saiu, mostrando a história de 30 crianças mortas, o impacto foi enorme''.
Roldão conta que essa idéia, a de dar ''rosto às estatísticas'', surgiu quando ele percebeu que só após a revista Life trazer histórias sobre quem estava morrendo no Vietnã é que a população americana se deu conta que a guerra era real. E é essa mesma idéia que impulsionou ''Dias de Ira'', ''saber quem eram aqueles 13 mortos que na imprensa paulista eram tachados apenas como gays''.
O jornalista se refere a uma onda de assassinatos ocorridos em São Paulo entre 1986 e 1989. Havia apenas uma unidade entre os 13 mortos: o homossexualismo. O caso estava quase encerrado até que supostamente o michê (garoto de programas) Fortunato Botton Neto confessara os crimes e fora apresentado à opinião pública como um doente.
Acreditando que existiam algumas ''histórias'' que os jornais não teriam contado, Roldão procurou parentes das vítimas para saber mais detalhes. Entretanto, a grande maioria se negou a conversar. Só restava uma possibilidade: as mais de 3.300 páginas que o jornalista consultou entre inquéritos e processos, o que muito contribuiu no perfil que Roldão construiu dos sete principais personagens. Quem quiser saber o resultado dessa grande reportagem é só comparecer hoje ao Zaqueu de Melo e fazer suas perguntas diretamente ao jornalista. Lançamento do livro ''Dias de Ira'', de Roldão Arruda (Editora Globo, 312 páginas, R$ 25,00). Hoje, às 20 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina.


