Histórias do povo temperadas com humor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de junho de 2002
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
As crônicas sumiram da imprensa londrinense. As justificativas para explicar a lacuna podem ser muitas, mas nenhuma parece consolar o jornalista Apolo Theodoro, que lança o livro Apologias hoje à noite na Biblioteca Pública. A sessão de autógrafos começa às 20 horas incluindo coquetel, leituras de textos e roda de samba.
O livro faz parte da coleção Crônicas de Londrina, publicada pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Imprensa Oficial do Paraná. A coletânea reúne 26 textos pinçados dos jornais em que o autor trabalhou. A maioria foi garimpada nas páginas da Folha de Londrina. Antes de irem para a gráfica, todos foram revisados e atualizados.
O sumário divide seus escritos entre crônicas de tudo, crônicas de botequim e crônicas de futebol. Procuro falar da gente do povo trazendo aos leitores as situações engraçadas, as brincadeiras e as frases de efeito as quais o povo é mestre em criar. Faço uma leitura do cotidiano do povo comum das ruas diz ele. Apolo define o cronista como um ser especial, um distraído, alguém que sempre está com um olho e um ouvido virados para os lados.
Não se consegue ser um bom cronista se não for distraído teoriza. Eu mesmo, quando estou conversando na rua com alguém, costumo prestar atenção no que estão falando ou fazendo à minha volta. Muitas vezes, a conversa que era principal fica secundária. Para ele, a crônica marca a pausa do noticiário. Não sei por que deixaram de publicá-las. Elas humanizam os jornais. É o momento da distração e da reflexão. É a leitura de raspada de olho, aquilo que cria a cumplicidade com o leitor salienta.
Apolo afirma que nunca pensou em reunir seus textos em livro. A iniciativa partiu de Bernardo Pellegrini, atual Secretário Municipal de Cultura, o mesmo que 16 anos atrás o introduziu no jornalismo convidando-o (mesmo sabendo que o amigo não tinha formação no metiê) para trabalhar no jornal Paraná Norte. Foi o começo de sua carreira na imprensa, boa parte dela dedicada às crônicas.
Mas não me considero um escritor diz ele. Sou um boleiro que virou cronista. Joguei muito futebol e isso me possibilitou andar pela cidade e conhecer muita gente. Eu diria que 90% dos meus textos têm Londrina como tema, seja focalizando locais, pessoas ou acontecimentos. Formado em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (posteriormente incorporada pela UEL), Apolo nunca exerceu o ofício de professor da disciplina.
Mas tem histórias para contar como jogador de futebol amador e ator de teatro. Nas décadas de 60 e 70, destacou-se nas duas atividades chegando a conquistar títulos com as equipes, troféus como craque e prêmios por suas atuações no palco. Ainda hoje, ele é amante das peladas. No ano passado, fui campeão de futebol suíço num campeonato organizado para jogadores com idades acima de 50 anos conta.
Mas a paixão pela bola já não se limita ao gramado. O lançamento de Apologias o estimulou a pensar em outro livro, desta vez inteiramente dedicado ao universo do futebol. O projeto está engatilhado para ser apresentado na próxima convocação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Pretendo narrar histórias ligadas ao futebol da várzea, abordando os episódios pitorescos ocorridos à beira das quatro linhas anuncia.
Hoje à noite, a festa de lançamento contará com intervenções do escritor Domingos Pellegrini, dos atores Poka e Negão, além de turmas de pagode e violão. O livro estará à venda a R$ 10,00.
Serviço: Lançamento do livro Apologias, de Apolo Theodoro, hoje às 20 horas, na Biblioteca Pública de Londrina.


