As crônicas sumiram da imprensa londrinense. As justificativas para explicar a lacuna podem ser muitas, mas nenhuma parece consolar o jornalista Apolo Theodoro, que lança o livro ‘‘Apologias’’ hoje à noite na Biblioteca Pública. A sessão de autógrafos começa às 20 horas incluindo coquetel, leituras de textos e roda de samba.
O livro faz parte da coleção ‘‘Crônicas de Londrina’’, publicada pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Imprensa Oficial do Paraná. A coletânea reúne 26 textos pinçados dos jornais em que o autor trabalhou. A maioria foi garimpada nas páginas da Folha de Londrina. Antes de irem para a gráfica, todos foram revisados e atualizados.
O sumário divide seus escritos entre ‘‘crônicas de tudo’’, ‘‘crônicas de botequim’’ e ‘‘crônicas de futebol’’. ‘‘Procuro falar da gente do povo trazendo aos leitores as situações engraçadas, as brincadeiras e as frases de efeito as quais o povo é mestre em criar. Faço uma leitura do cotidiano do povo comum das ruas’’ – diz ele. Apolo define o cronista como um ser especial, um distraído, alguém que sempre está com um olho e um ouvido virados para os lados.
‘‘Não se consegue ser um bom cronista se não for distraído’’ – teoriza. ‘‘Eu mesmo, quando estou conversando na rua com alguém, costumo prestar atenção no que estão falando ou fazendo à minha volta. Muitas vezes, a conversa que era principal fica secundária’’. Para ele, a crônica marca a pausa do noticiário. ‘‘Não sei por que deixaram de publicá-las. Elas humanizam os jornais. É o momento da distração e da reflexão. É a leitura de raspada de olho, aquilo que cria a cumplicidade com o leitor’’ – salienta.
Apolo afirma que nunca pensou em reunir seus textos em livro. A iniciativa partiu de Bernardo Pellegrini, atual Secretário Municipal de Cultura, o mesmo que 16 anos atrás o introduziu no jornalismo convidando-o (mesmo sabendo que o amigo não tinha formação no metiê) para trabalhar no jornal Paraná Norte. Foi o começo de sua carreira na imprensa, boa parte dela dedicada às crônicas.
‘‘Mas não me considero um escritor’’ – diz ele. ‘‘Sou um boleiro que virou cronista. Joguei muito futebol e isso me possibilitou andar pela cidade e conhecer muita gente. Eu diria que 90% dos meus textos têm Londrina como tema, seja focalizando locais, pessoas ou acontecimentos’’. Formado em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (posteriormente incorporada pela UEL), Apolo nunca exerceu o ofício de professor da disciplina.
Mas tem histórias para contar como jogador de futebol amador e ator de teatro. Nas décadas de 60 e 70, destacou-se nas duas atividades chegando a conquistar títulos com as equipes, troféus como craque e prêmios por suas atuações no palco. Ainda hoje, ele é amante das peladas. ‘‘No ano passado, fui campeão de futebol suíço num campeonato organizado para jogadores com idades acima de 50 anos’’ – conta.
Mas a paixão pela bola já não se limita ao gramado. O lançamento de ‘‘Apologias’’ o estimulou a pensar em outro livro, desta vez inteiramente dedicado ao universo do futebol. O projeto está engatilhado para ser apresentado na próxima convocação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. ‘‘Pretendo narrar histórias ligadas ao futebol da várzea, abordando os episódios pitorescos ocorridos à beira das quatro linhas’’ – anuncia.
Hoje à noite, a festa de lançamento contará com intervenções do escritor Domingos Pellegrini, dos atores Poka e Negão, além de turmas de pagode e violão. O livro estará à venda a R$ 10,00.
Serviço: Lançamento do livro ‘‘Apologias’’, de Apolo Theodoro, hoje às 20 horas, na Biblioteca Pública de Londrina.

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