Histórias do nanico desbocado
Nelson Sato
de Londrina
O pai da imprensa alternativa acaba de soprar trinta velinhas. Na esteira das comemorações, chega ao público o livro de bolso Nos Bastidores DO Pasquim, de autoria de João Baptista M. Vargens com prefácio de Sérgio Cabral e ilustrações de Lan.
O livro homenageia o semanário carioca sumarizando episódios marcantes de sua trajetória como sua fundação, as polêmicas entrevistas de Leila Diniz e Juca Chaves, a prisão de sua equipe de redatores, o dia-a-dia no xilindró e a batalha semanal travada contra a censura.
Muito do que é contado pelo autor já foi revelado esparsamente em entrevistas de um ou outro integrante da patota, e também nos volumes O Pasquim e os anos 70 de José Luiz Braga e Pasquim de Norma Pereira Rego - os dois títulos anteriores que tiveram o Pasquim como assunto de suas páginas.
Mas é difícil saber o que, de fato, foi retido pelo grande público. Quantos leitores sabem, por exemplo, que na primeira entrevista do jornal (a edição de estréia saiu no dia 26 de junho de 1969) o colunista social Ibrahin Sued antecipou o nome do sucessor do general Costa e Silva na Presidência da República bem antes de começar o processo de consulta aos altos escalões das Forças Armadas, que só ocorreria quatro meses depois?
Quantos leitores sabem também que o empresário e dono da revista Manchete Adolfo Bloch, expulsou o jornal da Rua do Rezende, como lembra o autor, depois de ser chamado de anti-semita (apesar de ser judeu) pelo cantor-compositor-humorista Juca Chaves nas páginas do Pasquim?
E algum leitor, por acaso, já conhecia o tenso episódio que envolveu o jornal O Globo e os redatores do Pasquim durante as negociações entre os militares e os grupos guerrilheiros de esquerda, quando o diário carioca publicou uma lista de presos a ser trocados por um embaixador suíço sequestrado incluindo nela o pessoal da patota?.
Para terminar, é de conhecimento comum que o único jornalista a se pronunciar na grande imprensa contra a prisão de Tarso de Castro, Jaguar, Paulo Francis e o resto da turma foi Carlos Castelo Branco em crônica assinada para o Jornal do Brasil? Bem, para aqueles que ficaram sabendo disso tudo só agora, o livro serve como uma boa introdução (ainda que bastante modesta) à história do ferino tablóide.
Vale acrescentar que outros episódios pitorescos foram incluídos no volume, particularmente aqueles que narram o período em que a turma ficou trancafiada durante dois meses nas celas da Vila Militar, no Rio. João Baptista M. Vargens, o autor, é professor na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escreveu também os livros Islamismo e Negritude (1982), Notas Musicais Cariocas (1986) e Candeia, Luz da Inspiração (1997). O novo trabalho saiu pela Giacomo Mario Santoro Editora.





